Resenhas

Garotas Suecas – Feras Míticas

Mais maduro, o segundo disco da banda se mostra menos urgente e mais detalhista, rendendo ótimas canções e um mergulho nas principais inspirações da banda

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Ano: 2013
Selo: Independente
# Faixas: 12
Estilos: Rock, Soul, Funk
Duração: 48:17
Nota: 4.0
Produção: Nick Graham-Smith
SoundCloud: /tracks/96626331

O lançamento e o sucesso de Escaldante Banda, há três anos, veio para contemplar uma banda que já trabalhava muito bem desde o já longínquo ano de 2005 – com os EPs Hey, Hey, Hey, São os Garotas Suecas (2006), Difícil de Domar (2008) e Dinossauros (2009). Com um misto único entre Rock, Soul, Funk e o som da Jovem Guarda, o quinteto Garotas Suecas mostrou nesta obra suas principais características, como suas letras e faixas bem divertidas com uma aproximação bem melódica e muito urgente, invariavelmente deixando as canções extremamente dançantes.

Por mais bem sucedido que tenha sido este disco, em sua segunda obra, Feras Míticas, a banda decide seguir em uma direção diferente, ao invés de simplesmente reaproveitar uma fórmula de sucesso. Munidos com as mesmas influências de seu antecessor, o grupo adiciona ainda alguns toques da psicodelia setentista, Rock brasileiro dos anos 80 e até mesmo Rap (sim, você não leu errado, o estilo entra como um dos ingredientes desta nova fase do grupo), além de outros estilos espalhados esparsamente entre as faixas.

Esta nova mistura soa mais sólida, mas ao mesmo tempo mais dinâmica, como bem explicou o guitarrista Tomaz Paoliello “Com esse disco nos preocupamos menos com a coerência das nossas referências e mais com a cara do Garotas”. Buscando mais a si mesmo, a banda mergulha em uma série de influências que enriquece bastante as faixas desta nova fase. Roots Are for Trees, por exemplo, parece se inspirar nas guitarras e na vibe lisérgica de Pink Floyd e nas pirações vocais dos Mutantes, Pode Acontecer, no clima expansivo e psicodélico do Primal Scream ou ainda Bucolismo, no misto envolvente entre Reggae e R&B.

Assim como a instrumentação e ambientação sonora, as temáticas estão também diferentes. Ainda que aventuras e desventuras amorosas ainda apareçam, temáticas mais cotidianas e mais inspiradas na própria banda aparecem com mais frequência, sendo cantadas, desta vez, em português e inglês. Rendendo um disco com selo de exportação – esse é o tipo de som que gringos adoram ver.

O disco ainda conta com a participação de três músicos, com backgrounds bem diferentes e que ajudam a mostrar esse momento mais expansivo pelo qual a banda anda neste álbum. A suingada e quase Disco L.A. Disco tem a participação de Kid Congo Powers, a bela A Nuvem conta com as rimas de Lurdez da Luz e fechando as participações, Paulo Miklos ajuda o quinteto em Charles Chacal, uma composição originalmente feita pelos Titãs, porém nunca gravada, pois a mesma foi censurada na época.

Se de fato a nova fase da banda está “menos coerente”, ela apresenta agora mais nuances e está bem mais ligada nos detalhes, resultado direto de músicos que amadureceram muito nestes últimos três anos.

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BOM PARA QUEM OUVE: Banda Gentileza, Nevilton, Apanhador Só
MARCADORES: Funk, Ouça, Rock, Soul

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts