Resenhas

Ghostface Killah & Adrian Younge – Twelve Reasons to Die II

Segunda parte dessa parceria segue seus bons aspectos instrumentais e cinematográficas em uma digna continuação

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Ano: 2015
Selo: Linear Labs
# Faixas: 13
Estilos: Hip Hop, Rap
Duração: 31:46
Nota: 3.0
Produção: Adrian Younge

Ghostface Killah é um MC workaholic. Nos últimos cinco anos, lançou cinco discos relacionados a diferentes projetos – um deles, o retorno de Wu-Tang Clan, pode ser considerado bem questionável, enquanto todos os outros são relevantes. Seja no bom 36 Chambers, lançado nos últimos momentos de 2014, ou no trabalho com Badbadnotgood, ele soube construir histórias coesas, sempre cinematográficas e inspiradas no dinamismo das histórias em quadrinhos. Dentro dessa sua capacidade que o acompanha desde seu períodos aúreos de Wu-Tang Clan, a parceria com o produtor Adrian Younge parece a mais certeira.

Iniciada na primeira parte de Twelve Reasons to Die, o rapper e o produtor construiram um conto de ressureição e vingança surreal que poderia ter um acompanhamento visual único, que tampouco se faz necessário. Orquestrado como uma banda de Soul dos anos 1970, a parte instrumental do trabalho chama atenção pelo seu caráter orgânico e autêntico – trilha-sonora ideal para uma prosa que coloca o ouvinte dentro da história. Nele, o alter-ego de Ghostface, Tony Starks (olha os quadrinhos aí), morre após se envolver com um chefão da máfia Italiana, DeLucas. Suas cinzas viram discos de vinis, os doze do título, e trazem Ghostface Killah de volta à vida após serem tocados para acertar suas contas.

Obviamente, um protagonista precisa de personagens secundários para que a história não vire um monólogo, e é aí que estão os destaques de Twelve Reasons to Die II. RZA, Raekwon e Vince Staples, entre outros, surgem para interpretar aqui. São deles grandes momentos versados em faixas como Return of the Savage, a ótima e suingada King of New York ou a densa Let the Record Spin – em todas, Ghostface abre espaço e continua brilhando apesar da liberdade concedida. O MC parece também influenciá-los a se entregar ao limite, algo visto em Get the Money, com Staples – na faixa, vemos o jovem rapper colérico como nunca, contraste claro ao seu melancólico e elogiado primeiro disco, Summertime ‘06.

Algo ao mesmo tempo trabalha a favor e contra do formato cinematográfico do disco: apreciado como peça única, do começo ao fim, acaba prendendo o ouvinte a uma cadeira, deixando-o ansioso para o desfecho da segunda parte da história (ler as letras é importante, principalmente para não-falantes nativos de inglês). Por outro lado, se ouvido separadamente e sem o envolvimento exigente que o álbum pede, pode acabar se resumindo a suas boas faixas. O contrato assinado no início da audição demanda o mesmo que um filme no cinema: concentração. Se apreciado dessa maneira, torna-se uma ótima sequência à primeira parte desta trilogia (spoiler), inclusive levando os novatos ou conhecedores a revisitarem Twelve Reasons to Die. Caso contrário não traz nada de muito novo à ótima discografia recente de Ghostface Killah – somente o mesmo selo de qualidade baseado em um ótimo instrumental, o que para os seus fãs pode ser o bastante.

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BOM PARA QUEM OUVE: Raekwon, BadBadNotGood, Wu-Tang Clan
MARCADORES: Hip Hop, Rap

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.