Resenhas

Girls – Father, Son, Holy Ghost

Banda trabalha diversas sonoridades e referências em uma obra múltipla muito bem equilibrada, entregando excelentes músicas que passeiam entre a Surf Music e o Indie Rock, resultando em um dos melhores discos de 2011

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Ano: 2011
Selo: True Panther Sounds
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, Surf Rock, Indie Pop
Duração: 54'
Nota: 4.0
Produção: Doug Boehm e Girls

O que faz um disco ser considerado bom? Alguns podem debater a questão pensando em inovações para o cenário musical de onde ele saiu, outros podem dizer que ele vai ser bom se for bem produzido, ou se desenvolver um tema interessante ao longo de sua “narrativa”. No meio da discussão, surge a banda Girls com seu veredito: Um bom álbum é feito de boas músicas.

Pode parecer óbvio, mas ouvir Father, Son, Holy Ghost dá a impressão de perceber esse argumento nas entrelinhas que acompanham suas onze faixas, todas muito boas individualmente, mas sem muitas correlações em suas letras, melodias e referências – às vezes parece Beach Boys, às vezes soa como uma canção gospel, ou como um rock setentista. O que dá liga entre elas, fora os timbres que se repetem, é o simples fato de estarem reunidas no mesmo disco.

O que elas tem em comum é justamente essa característica individual, tanto no quanto funcionam sozinhas, quanto na figura pessoal de Christopher Owens, que escreveu as letras em primeira pessoa e até mesmo fez a arte do álbum – que tenta homogenizar os versos, explicitando a ideia de todas as canções fazerem parte de um mesmo disco, mesmo tão diferentes.

São músicas sobre sua mãe (My Ma e Honey Bunny, por exemplo), ex-namoradas (como Vomit e Jamie Marie), ou reflexões sobre a vida e o amor (Saying I Love You e Love Like a River). Aliás, os diferentes tipo de amor acabam sendo o mais perto de uma temática comum para todas as faixas, até mesmo no “Pai, Filho e Espírito Santo” do título.

Ainda sobre as letras, os versos simples (principalmente aliados ao vocal baixinho, quase sussurado de Owens) escondem a carga emocional disfarçada de clichê que permeia a obra. A Girls usa cada uma de suas referências para esculpir cada uma dessas canções, criando novas experiências para cada contexto que você as inserir – seja ouvindo em alguma ordem aleatória, ou em um shuffle com outras músicas de outras bandas. O que vale aqui é a qualidade de cada uma delas – e que bom que podemos ter acesso a tantas faixas ótimas de uma só vez.

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BOM PARA QUEM OUVE: Wavves, Howler, Bombay Bicycle Club
ARTISTA: Girls

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.