Resenhas

Goat – Commune

Reunindo referências sem medo do conceito “World Music”, banda sueca continua interessante

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Ano: 2014
Selo: Sub Pop/Rocket Recordings
# Faixas: 9
Estilos: World Music, Rock Psicodélico, Folk Psicodélico
Duração: 38:54
Nota: 4.0

Serei eternamente grato a Goat por ter, no meio desse revival todo de anos 1990, escolhido tabalhar um dos termos que aquela década (principalmente na primeira metade) usou à exaustão, algo tão interessante quanto temível, tão curioso quanto de mau gosto: World Music. Afinal, convenhamos, há um pouco de mesquinhez quando você pega algo de uma cultura diferente da sua e classifica-o como “exótico”, lhe entuchando em uma categoria que engloba tudo o quanto é “estrangeiro” de uma só vez. É um pensamento muito pequeno.

Mas este grupo sueco estrapola as fronteiras desse conceito e faz um som com uma cara mais espontânea, como se os elementos que você identifica como dessa ou daquela etnia pudessem conviver em uma utopia musical e psicodélica do século 21. E isso continua neste seu novo álbum, Commune, um trabalho sempre interessante, ainda que menos impressionante que seu anterior (batizado não por acaso como *World Music.

Talvez ele impressione menos por trazer uma ambientação um pouco mais etérea em várias faixas, enquanto o outro era mais “pra cima”. Faixas como Goatchild e Goatslaves são exceções da regra, trazendo a energia que já conhecíamos da banda em composições que vale a pena conhecer aqui. Suas músicas evocam paisagens de lugares que só ouvimos falar e tem o “quê” aventureiro necessário para explorar tais cenários.

Como seu título sugere, é sempre um grande diálogo, uma intensa transmissão de estéticas, ideias, timbres, referências e sensações. E tudo vem no tamanho certo, sem se perder em megalomanias – mesmo que faixas como Bondye deem a impressão que vão descarrilhar a qualquer momento. É o tipo de disco que você ouve e não vê a hora de ver ao vivo.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.