Resenhas

Goat – World Music

Banda sueca estreia com uma boa dose de Psicodelia étnica em nove faixas que irão facilmente te contagiar por sua relevância para o cenário atual e, principalmente, por sua qualidade

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Ano: 2012
Selo: Rocket
# Faixas: 9
Estilos: World Music, Rock Psicodélico, Psicodelia
Duração: 37:05
Nota: 4.5

“World Music” é um termo criado há poucas décadas para designar a corrente musical que misturava diferentes sonoridades vindas de diversos cantos do globo, principalmente em um grande flerte com musicalidades étnicas que soassem “exóticas”. World Music é também o álbum de estreia da banda sueca Goat, que alinha magistralmente essa ideia à Psicodelia.

O resultado é uma “viagem” dupla de dois estilos que casam muito bem. Ao longo de suas nove faixas, o disco cria uma ambientação múltipla e mais do que rica, algo que combinaria como trilha de um ótimo filme, preenchendo totalmente o espaço sonoro, mas dando espaço para que mais aconteça à sua frente, seja imagens na tela ou em nossas mentes.

Enquanto suas duas primeiras faixas, Diarabi e Goatman, parecem preocupadas em nos apresentar um pouco do que ouviremos dali pra frente (ou seja, as guitarras em meio aos tais sons exóticos), Goathead, a terceira música, tem o dom de cativar o ouvinte de uma só vez, colocar um sorriso em seu rosto e convencê-lo que a audição até o fim vale a pena (e já valeu até ali).

Sua força nos vocais e nos instrumentos é uma constante a partir dali e ao longo das próximas faixas, uma melhor que a outra. Seja na guitarra e sintetizador tão Pop de Disco Fever, no ritmo fora do convencional em Golden Dawn, no clima familiar, mas fascinante ao mesmo tempo, de Let It Bleed ou na energia de Run To Your Mama, World Music é dançante, empolgante e impressionante. Música cheia de alma, que dá muito gosto de ouvir.

No auge da festa, Goatlord acalma um pouco os ânimos até a apoteose com Det som aldrig forandras/Diarabi, que recupera a música de abertura e a expande por quase oito minutos de Psicodelia étnica em um final digno de uma grande obra.

Em uma época em que a sensação de “globalização” é muito maior e mais cotidianda do que quando o termo World Music foi cunhado, a estreia da Goat soa como uma busca de sonoridades interessantes dentro de uma estética muito relevante para a música contemporânea – mas isso pouco adiantaria se as composições e execuções não fossem tão incríveis. Ouça enquanto é tempo.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.