Resenhas

Goldfish – Three Second Memory

Relaxante e animado, novo disco do duo deve agradar os dois públicos distintos e admiradores da música eletrônica

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Ano: 2013
Selo: Universal
# Faixas: 14
Estilos: Eletrônica, House, Electro-Jazz
Duração: 58:07
Nota: 4.0

Um dos constantes desafios para os produtores de música eletrônica está em encontrar “o sample perfeito”. Na verdade, um bom DJ é o que consegue enxergar o potencial de um bom riff, por assim dizer, em músicas que se dizem completamente contra a música eletrônica. Encontramos em registros famosos da gênero vários exemplos: Daft Punk usando faixas de George Duke, Crystal Castles utilizando partes dos vocais de Death From Above 1979, Beyoncé emprestando sua voz em samples para Icona Pop etc. Enfim, encontramos nesse finalzinho de ano um lançamento que reaviva o espírito investigador da eletrônica, fugindo da repetição e acrescentando um toque pessoal a suas composições. Eis que surge o novo disco de Goldfish, intitulado Three Second Memory.

Fugindo um pouco da cena eletrônica francesa, o álbum é produzido por um duo sul-africano da Cidade Do Cabo e, no decorrer de suas catorze faixas, ouvimos muitas referências do continente, no que diz respeito tanto a estrutura e composição das batidas quanto aos elementos étnicos, principalmente vocais. Dessa característica, temos como principal destaque a faixa Moonwalk Away.

O que chama a atenção no disco também é como a banda acha suas principais harmonias e melodias no Jazz e Soul. Cantaloop (Flip Fantasia), por exemplo, evoca um dos temas mais famosos do Jazz Moderno, misturando Cantelope Island de Herbie Hancock com uma batida mais atual mas que casa perfeitamente. Followers Of The Beat começa com um piano agudo e jazzístico que engana o ouvinte nos primeiros segundos, se revelando uma música dançante mas que mantém o espírito boogie-woogie até o final de sua execução. Até mesmo o R&B tem espaço na obra. Trees And Jets é uma faixa que acaba relaxando o ouvinte com seus acordes quentes de sintetizadores e a voz doce e suave de Monique Hellenberg.

Porém, o novo registro do duo não chama a atenção apenas por trabalhar com o Jazz, mas por conseguir tornar fluida e imperceptível essa transição entre faixas com um fator Soul mais elevado, até chegar a músicas que sacudiriam arenas e estádio lotados, dignas de produtores como Deadmau5 e David Guetta. Take Back Tomorrow talvez seja o melhor exemplo: um refrão que vai sendo antecipado até matar o ouvinte morrer de curiosidade, e assim, culminar em uma batida constante que faz um interessante e instigante uso dos sintetizadores.

É divertido ouvir que o duo não se limita a samplear apenas músicas. Em Drive Them Back To Darkness, escutamos nos primeiros segundos um trecho de diálogo do filme The Last Man On Earth, de 1964, nos ambientando num lugar osbcuro e sombrio, e que no final acaba se revelando um incrível clube de Jazz nas vielas da antiga Nova York. Essa é de longe a faixa mais interessante do disco, pois, durante sete minutos, somos levados numa incrível jam session que mistura um solo smooth de Rhodes com a firmeza e batida concreta das baladas atuais.

No fim, ficamos com um disco que pode agradar tanto quem queira descansar tomando um bom vinho em frente a uma lareira confortável, quanto quem queira dançar a noite inteira em baladas (também tomando um vinho). Vale a pena rever sua lista de melhores dos anos, nesses 45 minutos do segundo tempo para incluir o trabalho do duo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Deon Custom, Disclosure, Daft Punk
ARTISTA: Goldfish

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.