Resenhas

Gram – Outro Seu

Nova fase da banda revela nuances inéditas em sua personalidade sem perder sua essência

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Ano: 2014
Selo: Sony Music
# Faixas: 7
Estilos: Rock, Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 30:03
Nota: 3.0

Nada permanece naturalmente a mesma coisa por oito anos. Isso só aconteceria como resultado de um grande esforço pra não ser levado pela correnteza do tempo e das mudanças que ela traz. Sim, Gram está de volta, em outra gravadora e com outro vocalista. Sim, está diferente. Mas, fossem as circustâncias do retorno muito semelhantes à situação antiga, será que ela ainda seria a mesma?

É claro que esses fatores influenciaram a cara que o som do grupo paulistano tem hoje, mas algo muito positivo ao ouvir seu novo trabalho é notar o quanto sua essência não se perdeu. As provas disso (e qualquer um que conheça a banda entenderá) começam já no título: Outro Seu.

O coração rasgado de sempre está ali, sofrendo o drama por amores perdidos e/ou disperdiçados. Ao meu ver, Gram sempre contou histórias de personagens que estão expondo não apenas o que aconteceu, mas com ênfase na condição em que se encontram agora. São pessoas com consciência do que estão passando ou passaram e agora narram seus próximos passos – alguns de libertação e catarse e outros sinceramente derrotados com um pé cada vez mais na tal da jaca (e aceitando essa realidade).

Isso está presente em cada uma das sete faixas do disco, a começar pelo hit Sem Saída, com “Eu, outro seu, não me apetece a paz” já no início – exemplo da libertação que eu mencionei -, além de “vai ser difícil acreditar no fim” de Toda Dor do Mundo. Ou seja, é Gram em sua forma integral. Mais do que isso, é Gram em boa forma.

A banda chega jovial, com guitarras que choram ainda mais que a voz. Falando nisso, Ferraz mostra sua versatilidade como vocalista, ao invés de tentar imitar o anterior (o que seria não só de mau gosto, como um esforço em vão). Ele mostra o quanto ouviu Arctic Monkeys em faixas como Condição e como soube adequar sua personalidade ao som da banda, como mostrou em A Manhã – uma das mais interessantes aqui.

Fica claro que a proposta não era reinventar a maneira de fazer música hoje em dia, mas exercitar a reinvenção da própria banda. É uma nova adolescência, um novo período de ajustes nas dinâmicas com os outros e consigo mesmo. Melhor do que a chance de curtir o disco agora é pensar que este é apenas o primeiro de uma nova fase de mais dor, mais guitarras e mais mudanças.

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BOM PARA QUEM OUVE: Planar, Interpol, Arctic Monkeys
ARTISTA: Gram

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.