Resenhas

Grimes – Visions

O terceiro disco da canadense mostra uma nova cara da música eletrônica, deixando de ser mecânica e trazendo muito do que ela sente para suas canções, trocando o artificial por uma sensação um pouco mais orgânica

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Ano: 2012
Selo: 4AD
# Faixas: 13
Estilos: Dream Pop, Experimental, Pop Psicodélico
Duração: 47:58
Nota: 4.0

Às vezes, quando ouço a palavra “artificial”, ela vem como algo negativo, soa como um adjetivo pejorativo. Ser algo que não é, ou tentar virtualizar algo. Mas senti exatamente o contrário nesse disco: Claire Boucher consegue em seu terceiro disco ser artificial o suficiente para ser real. Visions é um passeio digital pelo mundo de Boucher, e cada nota, cada timbre, cada bit, é tudo processado, mas tudo aqui tem uma carga de humanidade muito grande.

Ao contrário do que se fazia há 30 anos, quando os sintetizadores e a música eletrônica trouxeram um tom mecânico e nada humano às composições, Grimes vem pra acabar com esse paradigma e trazê-las de a vida. Mesmo com seus vocais quase sempre processados, existe muita vida e sentimento em cada bit. Com uma pluralidade de inspirações enorme, é difícil decifrar o que está onde, mas podemos de certo notar Panda Bear e seu Person Pitch, além das inspirações vocais de Joana Newson, Nite Jewel e Julia Holter.

Esse, na verdade, é o terceiro disco de Boucher. Geidi Primes (2010) e Halfaxa (2011) passaram quase despercebidos, mas nessa mesma época a canadense começou a abrir os shows da mini turnê da Lykke Li pelos Estados Unidos. Visions consegue superar os dois outros discos facilmente, se mostrando mais completo e profundo que seus antecessores.

Com uma abertura um pouco estranha em Infinite Love Without Fulfillment, ela foge do que é apresentado no restante do álbum, começando o disco com uma pegada robótica. Já em Genesis, pode-se dizer que o disco realmente começou, com uma bela melodia apresentada por um teclado, sintetizadores e alguns barulhos, que fazem um belo background para sua voz. Com um tom um pouco mais pop, os sintetizadores em loop, e as várias camadas formadas pela voz de Claire, Oblivion é uma ótima música.

Em Eight, o Future Pop dá lugar ao Dubstep meio torto, com uma voz quase caricata e uma aura de Cocteau Twins. Visiting Statue lembra muito a Madonna de dez anos atrás, com sua voz e batidas bem ao estilo da diva do Pop. Nightmusic foi composta com seu namorado Devon Welsh – ou, como é mais conhecido, Majical Cloudz – em uma aura tensa e meio sinistra.

Propositalmente artificial, Visions é um disco que deu destaque à Grimes do pacote de cantoras do mesmo estilo. A virtualização das emoções aqui consegue quebrar o paradigma de música eletrônica mecânica.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts