Resenhas

Grouper – The Man Who Died In His Boat

Liz Harris apresenta uma união melancólica e hipnótica entre o Folk e Ambient Music em seu oitavo disco sob o nome de seu projeto solo

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Ano: 2013
Selo: Kranky
# Faixas: 11
Estilos: Folk Experimental, Ambient Music
Duração: 47:09
Nota: 3.5

Logo nas primeiras linhas de The Man Who Died In His Boat, já podemos notar que o oitavo trabalho de Liz Harris, em seu projeto solo denominado Grouper, será altamente atmosférico, melancólico e hipnótico, guiado somente por voz, violão e texturas que ecoam e reverberam por toda a parte. A moça traz mais uma vez seu misto entre Folk e Ambient Music que ganhou reconhecimento com Dragging a Dead Deer Up a Hill, lançado em 2008 – não por acaso, este disco foi gravado na mesma época daquele lançamento.

6 abre o álbum mostrando seu lado mais próximo da Ambient Music, em quase dois minutos de sons etéreos e desconexos que anunciam o clima volátil e soturno da obra. Em Vital, Liz mostra sua voz vulnerável, chorosa e quase sussurrada que parece velar o tal homem do título do disco, enquanto singelas notas brotam de seu violão.

A ligação entre esta e Cloud in Places é feita através dos ruídos que criam a sensação de continuidade entre as duas faixas. Isso será comum a partir daqui, assim como a impressão de ouvir somente uma faixa, quando na verdade duas ou três músicas já se passaram. É realmente impressionante ver a coesão e fluidez que Harris conseguem trazer à sua obra.

Cover the Long Way é um dos momentos mais intensos e belos do disco. O violão assume uma postura agressiva, enquanto os vocais se encorpam, deixando de ser um simples sussurro. Nesta faixa, Liz brinca com o delay e faz sua voz ecoar em lamúrios quase indistinguíveis. Difference (voices) segue quase o mesmo clima, mas aqui são as leves texturas que criam o clima hipnótico, enquanto as cordas pincelam um quadro feito com pouquíssimos elementos.

Marcando a segunda metade do álbum, Vanishing Point traz mais uma vez o clima etéreo da Ambient Music. Pincelando notas de um piano em cima de um plano de fundo estático e ruidoso, a música se apresenta misteriosa e intrigante do começo ao fim. Já a faixa que dá nome ao álbum e Towers voltam mais uma vez a centrar as letras como peça principal das composições e deixam os vocais mais a superfície, criando um dos momentos mais íntimos de todo o disco.

Encerrando a obra, a ótima Living Room é canção que mais se aproxima do Folk, apresentando um violão dedilhado e nenhum efeito no vocal. Sabendo emocionar ao ponto certo, o disco mostra que Liz Harris sabe criar belos momentos, seja em suas abstrações ou no formato mais convencional de canções.

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BOM PARA QUEM OUVE: Sharon Van Etten, Indians, Andy Stott
ARTISTA: Grouper

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts