Resenhas

Gucci Mane – Mr. Davis

Novo disco de rapper norte-americano é sustentado por clichês e pouca inventividade

 2,003 total views

Ano: 2017
Selo: GUWOP/1017/Atlantic Records
# Faixas: 17
Estilos: Hip Hop, Trap, Sample Based
Duração: 61:06
Nota: 2.5
Produção: Gucci Mane, Ben Billions, Cardiak, Chris Bosh, Cubeatz, Danja, Detail, DY, Frost, Hitmaka, Honorable, C.N.O.T.E., Key Wane, Metro Boomin, Mike Will Made It, Murda Beatz, Myles Harris, Nav, OG Parker, Rex Kudo, Rico Love, Southside, TM88 e Zaytoven

Gucci Mane sempre foi um artista plenamente consciente de seu tempo. Com uma surpreendente marca de dez discos de estúdio, fora mixtapes, o rapper e produtor americano mostrou em cada produção sua uma espécie de senso apurado pelas tendências que rodavam em seus respectivos anos de lançamento.

Em 2005, com seu disco de estreia, Trap House, Gucci Mane brincava de forma amadora com aquele Gangsta Rap estilizado do começo do novo milênio. Já em 2009, com The State Vs Radric Davis, o rapper já explorava o início da fusão Rap com Trap, relatando o julgamento pelo qual passou alguns anos antes. Agora, com o lançamento deste seu novo disco, parece que sua percepção das tendências continua apuradíssima. Infelizmente, isso nos faz levantar algumas questões.

Mr. Davis é uma obra grande. Não pela sua duração ou quantidade de faixas, mas pela amplitude que a carreira de Gucci Mane alcançou. As sucessivas parcerias com famosos nomes do Hip Hop e Pop, como The Weeknd, Nicki Minaj, Chris Brown e Ty Dolla $ign confirmam que o rapper não é novato, e sabe bem o que faz. Entretanto, fica difícil entender se tal talento se limita a compreender as sonoridades populares e simplesmente as replicarem, ou se realmente há algo de genuíno e pessoal em sua obra. A tendência da vez é o famoso e muito reproduzido Trap que Future e Migos na primeira metade dos anos 2010.

O uso desgastante do baixo sub em faixas como I Get The Bag (com participação de Migos) e Make Love talvez seja uma das marcas mais claras da pouca inventividade do registro. Além disso, beats pré programados e um arranjo pouco variável entre as dezessete faixas não parecem fazer muito para provar o contrário. Seria ingenuidade dizer que não há faixas interessantes, a saber, Curve com uma parceria benéfica com The Weeknd, Money Make Ya Handsome e sua ambientação Dark Future e Miss My Woe com referências que beiram uma espécie de Gospel Trap. Mesmo assim, estas composições suscitam aquela dúvida mencionada anteriormente, que por sinal é constante na reprodução das dezessete faixas: Gucci Mane é um bom compositor ou um excelente analista de tendências?

É plenamente compreensível que um artista seja sensível às sucessivas mudanças na música, afinal é assim que ele pode avaliar e comparar seu trabalho com a conjuntura vigente. A questão que faz Mr. Davis ser mais um registro na pilha de boas cópias de Future e Migos é justamente o que ele resolve fazer com toda esta informação que ele coleta. Ele faz dela um fundo para que possa imprimir seus próprios rabiscos e padrões ou apenas aperta o botão de uma copiadora? Discos como este nos fazem pensar um pouco mais sobre questões de originalidade e tendências e, embora certamente haja fãs e entusiastas que apreciarão o registro, Gucci Mane não parece fugir dessa massa homogênea atual de rappers.

(Mr. Davis em uma faixa: Miss My Woe)

 2,004 total views

BOM PARA QUEM OUVE: ISSA, Metro Boomin, Travis Scott
ARTISTA: Gucci Mane
MARCADORES: Hip Hop, Trap

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.