Resenhas

Guided by Voices – English Little League

Mesmo menos crua que no começo da carreira, sonoridade da banda mantém sua base e continua se apresentando com qualidade

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Ano: 2013
Selo: Guided by Voices Inc./Fire Records (UK)
# Faixas: 17
Estilos: Indie Rock, Lo-Fi
Duração: 45:54
Nota: 3.0

Fôlego é o que não vem faltando para Guided by Voices. Seguindo a plenos pulmões o ritmo de lançamento de discos desde seu hiato de 2004, a banda dá continuidade com English Little League após o incessante lançamento de três álbuns em 2012. Apresentando o já famoso número enorme de faixas, o vigésimo álbum de estúdio do grupo chega com 17 faixas, mas em um valor normal de duração, somando-se 45 minutos de execução.

Pode até ser que em algumas faixas percebemos um pouco de carga “Pop”, por assim dizer, em relação ao que ouvíamos em clássicos como Allien Lanes e Mag Earwhig!, entretanto, a sonoridade da banda, que desde 2012 se faz presente em formação original, de maneira alguma perde sua qualidade de essência que marcou os anos 90.

Logo na primeira faixa, nos deparamos com a boa Xeno Pariah, que nos remete ao que observamos recentemente nos trabalhos do GBV, um Rock Alternativo com a cara artesanal e crua. Entretanto, já pode se notar uma leve tendência Pop, algo que não necessariamente deprecia o som da banda, apenas se mostra um pouco diferente do habitual antigo. Tal acontecimento já vinha sendo percebido nos lançamentos mais recentes pós-hiato e não deve ser julgado, visto que uma banda com 30 anos de idade passa por influências ao longo de suas composições.

Outra característica sempre bem construída ao ser apresentada em seus discos é a conexão entre a transição de faixas, dando um resultado bem interessante na experiência de audição da obra. Tal feito pode ser ouvido de Quiet Game – uma das melhores do álbum, que resgata a sonoridade mais clássica da banda – para Noble Insect e de Biographer Seahorse para Flunky Minnows.

English Little League nos traz duas belas baladas, Islands (She Talks In Raibows) e The Sudden Death of Epstein’s Ways. A primeira vai em um lado Pop Psicodélico, branda e entorpecente e que poderia ser até um pouco mais ampliada, não se limitando aos seus pouco mais de 2 minutos. Entretanto, sabemos que isso já uma característica da banda; direta e reta. A segunda balada chega em tons que nos lembram um “quê” de Beatles em sua fase hippie em meio a vocalizações ecoantes e um clima mais nebuloso. Vale ressaltar que ambas as faixas são as únicas do disco compostas por Tobin Sprout, ao invés de Robert Pollard – o compositor majoritário do Guided by Voices. Em contraposição às baladas, o álbum apresenta duas canções carregadas de um Lo-Fi forçadamente intenso e até perturbador com Reflections In a Metal Whistle e A Burning Glass.

Ao final do disco, Taciturn Cave vem como uma das melhores do álbum numa mistura do Rock Alternativo estadunidense dos anos 90 e um refrão nos moldes do Brtipop. Também com ótimo refrão, temos W/Glass in Foot, que fecha a obra agora com uma tônica mais pegada aos rock de 60/70 à la The Kinks e cia, mas, é claro, com o toque providencial e característico que conhecemos do GBV.

O saldo que ficamos ao terminarmos de ouvir English Little League é uma continuação do recente retorno do Guided by Voices em seus últimos três álbuns recentemente lançados. A banda ainda nos apresenta uma base do que conhecemos em seus primeiros disco, mas com novas roupagens em algumas de suas faixas, o que não descaracteriza sua qualidade ou importância dentro de sua vasta discografia.

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BOM PARA QUEM OUVE: Pavement, Pixies, Cloud Nothings
MARCADORES: Indie Rock, Lo-Fi

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).