Resenhas

Guizado – O Voo Do Dragão

Terceiro disco do trompetista mostra maturidade e composições muito bem trabalhadas

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Ano: 2015
Selo: Punx Records
# Faixas: 8
Estilos: World Music, Experimental
Duração: 40:23
Nota: 4.0
Itunes: https://geo.itunes.apple.com/br/album/o-voo-do-dragao/id985800205?uo=6

Ser brasileiro é ser uma mistura. Somos uma nação que vem da junção de uma dúzia de outras e isso reflete muito em nossa cultura, principalmente na música. Desde a mistura de Maracatu com Rock de Nação Zumbi até o complexo e provocante universo das composições de Os Mutantes, o universo da música brasileira cada vez mais se amplia e, portanto, é cada vez menos previsível os rumos e sonoridades que escutaremos daqui a dez, cinco ou, até mesmo, um ano. É no meio dessas ramificações e criações de novos subgêneros que encontramos O Voo Do Dragão, uma obra que resume o significado de “surpreendente”.

Liderado pelo trompetista Guilherme Mendonça, Guizado desconhece a limitação de gênero e explora nas oito faixas sonoridades que permeiam uma área comum de Jazz, Hip Hop, Experimental e World Music. Esse último se aproxima bastante da música japonesa, mas de uma forma nem um pouco estereotipada e bastante profunda. O registro não funciona como um grupo de apenas oito composições, mas como uma espécie de coleção de sentimentos instrumentados, na qual Guilherme imprime um pouco de si ao mesmo tempo que dá liberdade para as faixas caminharem de acordo com a vontade própria que parecem ter criado por si.

Com uma produção exímia, O Voo Do Dragão contém ótimos momentos na trajetória do músico. Toró, como o próprio nome sugere, se inicia em caos absoluto e, a partir disso, alterna entre isto e um cenário mais calmo e tranquilo com dissonâncias que não nos fazem relaxar por um momento. Cachoeiras trabalha com a repetição de uma forma pouco entediante, acrescentando aos poucos elementos novos sem perder a atenção do ouvinte por um segundo. Cachorro Na Estrada apela para alguns estereótipos de flautas orientais, mas, ao modificá-los, acaba criando novas relações e interpretações de uma cultura tão antiga quanto a oriental.

Esse talvez seja um dos propósitos desse trabalho de Guizado: buscar novas conexões e meios de comunicação, tanto do interior de Guilherme para a sua música, quanto da sua música para o ouvinte. Com um disco surpreendente e instigante, o projeto se mostra bastante relevante, nos colocando uma ansiedade extrema por novos registros, para que possamos ver por onde mais Guizado pode nos levar.

Uma nova forma de relação com a música Experimental.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.