Resenhas

Half Moon Run – Dark Eyes

Disco de estreia do trio canadense mostra que idade e maturidade nem sempre andam juntas e faz isso através de belíssimas composições muito bem orquestradas

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Ano: 2012
Selo: Indica
# Faixas: 11
Estilos: Folk Rock, Rock Alternativo
Duração: 39:20
Nota: 4.5

Se tem uma coisa que eu aprendi com esse disco é que idade e maturidade não andam necessariamente juntas. Uma pode acarretar a outra, mas, em raros casos, a idade pouco importa para que a maturidade chegue.

Prova disso é a estreia do trio canadense Half Moon Run, que chega a um patamar alto de composições e arranjos logo no seu primeiro lançamento. Dark Eyes é um daqueles discos que a cada nova audição descobrimos novas nuances e detalhes que não percebemos de cara em sua superfície. Suas onze canções trabalham sonoridades que vão do Folk ao Rock Alternativo, em composições que podem remeter a Grizzly Bear e Radiohead, e que transitam entre esses dois extremos de forma coesa, adicionando ainda mais tantos outros elementos.

O principal single deste trabalho, Full Circle, é o extremo Folk do disco e o abre mostrando o quão talentoso esse trio é em criar lindas melodias e, por que não, hits. Essa faixa, em alguns momentos, pode lembrar a vibe de Fleet Foxes ou Local Natives, por trazer uma visão diferenciada do estilo e adicionar muita contemporaneidade a ele. As tendências experimentais do trio se mostram ainda tímidas neste ponto do álbum, mas já se notam as belas melodias e a forte sessão rítmica que aparecerá com frequência durante o decorrer do álbum.

Call Me in the Afternoon segue os mesmos contornos Folk da música anterior, mas apresenta outros elementos, como piano, harmonias vocais e pitadas de Rock Progressivo e Psicodélico. Ainda no campo “puramente Folk”, No More Losing the War traz um clima soturno e etéreo através de uma guitarra em arpejo e outra que parece murmurar gritos de desespero, enquanto isso, Devon Portielje sussurra sua bela letra, com se estivesse falando diretamente ao ouvinte.

Em She Wants to Know, a sonoridade começa a apontar para o extremo oposto do que dominava até então, mas ainda assim criando um amálgama muitos elementos diferentes. Conduzida pelo piano, a faixa conta com uma sessão rítmica calma, mas muito bem orquestrada. Need It é uma das baladinha mais calmas e apaixonadas do disco e traz uma bela sessão de instrumentos de corda em complemento aos solos de guitarra.

Riffs precisos e uma percussão simples ficam quase em loop na faixa Give up, que pode lembrar em alguns momentos Radiohead em sua fase In Rainbows. Note que esse é um meio do caminho entre Folk e Rock Alternativo, um meio termo em que não se impõe barreiras ou metas de focar em um ou outro estilo. Essa fusão entre gêneros, sonoridades e humores faz com o disco viaje por diversos lugares sem se perder em meio a tanta diversidade.

E a dobradinha Judgement e Drug You mostra muito bem essa variedade, enfileirando duas músicas que se examinadas separadamente não tem muitas semelhanças, mas, quando em conjunto, mostram a capacidade do trio de fazer uma mistura coerente. Nerve é mais uma incrível baladinha que se constrói singelamente com o leve dedilhar de uma guitarra e uma bateria compassada e muito calma. Agora é a vez da voz de Devon roubar a cena cantando uma das mais belas composições do disco.

Mais uma vez usando a combinação guitarra e voz, Fire Escape vai progredindo lentamente, adicionando aos poucos novos elementos como gaita, texturas e harmonias vocais que aparecem organicamente na faixa. Com seus quase cinco minutos, 21 Gun Salute fecha o álbum do lado oposto de onde ele começou. Ainda que os elementos usados sejam praticamente os mesmos, a banda cria um clima que, por mais que já viesse se encaminhando durante todo o disco, contrasta com tudo o que já havia sido apresentado. A faixa traz a forte presença de batidas eletrônicas e o uso do sintetizador para tal.

Com uma estreia digna de grandes nomes já consagrados, o trio canadense mostra que maturidade pode ser alcançada independente da idade. E também que é possível criar um som que viaje por tantos lugares que cria sua identidade a partir dessas viagens.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts