Após chamar atenção com seu ótimo The Happiest Times I Ever Ignored (2023), o músico texano Hayden Pedigo se firmou como um dos nomes mais singulares da música instrumental contemporânea. Seu álbum anterior, repleto de técnica e personagens teatrais, o apresentou para um público mais amplo, mostrando algo profundamente original em sua forma de compor e tocar. Agora, em I’ll Be Waving As You Drive Away, ele decide abandonar o teatro, as fantasias e os alter egos para expor-se por inteiro.
Aqui, Pedigo mergulha de vez na linguagem instrumental, mas foge do lugar comum do “violão solitário”. Ele transforma o disco em uma tapeçaria psicodélica de texturas, dinâmicas, cores, matizes, timbres e atmosferas. A decisão de manter a obra toda sem voz (com exceção de um breve registro ao fim da versão em vinil) reforça a proposta quase cinematográfica da obra, em que cada faixa parece contar um capítulo de uma grande narrativa implícita.
A abertura, com “Long Pond Lily”, já ambienta o ouvinte nessa nova aventura que Hayden nos coloca. Trata-se de uma faixa vigorosa, com graves ruidosos e uma energia controladamente vertiginosa. O violão é quem conduz, mas há camadas de som que se trombam, explodem, se expandem; é quase como se o músico estivesse testando as novas possibilidades de sua sonoridade, ao adicionar mais cordas, guitarras sons. Já a faixa-título, fecha a obra de forma quase oposta: ela brilha, saltita em nossa frente, com uma clareza melódica ímpar.
Mas o disco não se acomoda entre extremos. Em faixas como “Smoked” e “Hermes”, ele experimenta ainda mais com timbres e estruturas. “Smoked” soa como uma trilha de um faroeste distorcido, com mellotrons nebulosos e eletrônicos lentos e densos. Já “Hermes” contrasta com arranjos etéreos de cordas e fragmentos de piano, evocando a sensação de uma leveza ébria.
Com pouco menos de 30 minutos, I’ll Be Waving As You Drive Away é uma experiência enxuta sem parecer apressada, densa sem ser exaustiva. Sua duração favorece o replay quase natural, como um filme que se encerra pedindo para ser revisto. E, de fato, ao voltar à primeira faixa depois do encerramento, algo novo parece emergir; como se o ouvinte agora sentisse tudo de outra perspectiva.
(I’ll Be Waving As You Drive Away em uma faixa: “Long Pond Lily”)
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