Resenhas

Heavenly Beat – John

Quarto disco de produtor traz experiência nostálgica e onírica bem produzida

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Ano: 2017
Selo: 571632 Records DK
# Faixas: 12
Estilos: Chillwave, Dream Pop, Lo-Fi Pop
Duração: 48:35
Nota: 4.0
Produção: John F. Peña

Dar a um disco o nome da própria banda é um ato muito significativo, mas intitulá-lo com o nome de um dos integrantes é ainda mais simbólico. John Peña, ex-membro do grupo Beach Fossils, vem traçando caminhos interessantes pela Chillwave e Dream Pop sob a alcunha de Heavenly Beat. Parte deste notável percurso provém de seu talento como cuidadoso curador de sonoridades etéreas, dosando bem os reverbs e delays à procura dos melhores timbres para representar suas paisagens sonoras e oníricas. Entre seus três discos passados, destaca-se Proeminence, de 2013, um trabalho que conseguiu harmonizar suas predileções pelo etéreo com batidas Club e, ao mesmo tempo, Indie Pop. Agora, John Peña nos introduz o capítulo de seu catálogo de sonhos e, como dito, escolhe seu nome para batizar uma de suas obras mais profundas até então.

John traz à tona um elemento nostálgico ao próprio produtor. Com uma pesquisa por sonoridades Lo-fi mais intensas, este trabalho é um mergulho dentro das mídias analógicas dos anos 1980/90, principalmente o cassete e a fita VHS. É o mesmo Heavenly Beat que outrora nos guiou por tantas paisagens sonoras, mas agora elas parecem ter um aspecto bem mais pessoal, sendo que elas parecem se comportar mais como lembranças do que sonhos propriamente ditos. Seja pela mixagem que flerta com o Lo-fi, ou pela escolha de timbres que lembram o começo da tecnologia MIDI, o fato é que, neste disco, John Peña não só confirma seu talento como produtor, mas também como construtor de memórias, fazendo este disco um pouco mais denso que seus outros.

Começando com Upper, o trabalho já começa a fazer analogias com o tempo passado, temperando seus sons com reverbs e captações de vozes distantes. A faixa John, por sua vez, encontra similaridades com o Vaporwave, uma vez que ambos procuram trazer referências obscuras do passado e ressignificá-las. Bodega é uma das composições de maior apelo Pop do álbum, brincando com timbres orientais e de sintetizadores que parecem citar um riff da canção Running Up That Hill, de Kate Bush. Base nos leva por caminhos mais hipnóticos, ao mesmo tempo que relembra o disco passado com suas intervenções Club. Magenta e Ripasso brincam com ambientes mais soturnos do que as outras faixas deste álbum. Por fim, Screenshot termina esta jornada nostálgica com uma curta progressão de acordes repetitivos, como se fossem a trilha sonora daqueles anúncios de fim de transmissão de TVs antigas.

O quarto disco de Heavenly Beat é o mais denso e misterioso. Ao mesmo tempo que uma coleção de faixas dançantes e bem feitas, John é também um passo à frente para a formação de produtor de John Peña. Este é mais do que um registro que usa o sonho como matéria prima. É praticamente um diário de sonhos tão realista que ele nos entrega sensações que nos fazem confundir este mundo com nosso imaginário.

(John em uma faixa: Bodega)

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BOM PARA QUEM OUVE: Ducktails, Craft Spells, Toro y Moi
ARTISTA: Heavenly Beat

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.