Resenhas

Hierofante Púrpura – Boas Bestas EP

Banda se aventura por experimentalismos em formatos antigos

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Ano: 2014
# Faixas: 4
Estilos: Lo-Fi, Rock Psicodélico, Folk Psicodélico
Duração: 11:08
Nota: 3.5
Produção: Helena Duarte

Um dos fatos mais curiosos e interessantes dentro da esfera de produção musical é a apropriação de modos de gravação e equipamentos antigos em prol de uma sonoridade diferente e mais experimental. Dentre estes, o gravador de quatro canais para fita cassetes ganhou um considerável espaço de 2013 para cá, tendo uma sonoridade muita conhecida na obra de Mac Demarco. O registro passado da banda Hierofante Púrpura já nos mostrava uma predileção por esta estética sonora e nos deparamos agora com uma experiência psicodélica interessantíssima com ótimas referências.

Boas Bestas EP põe o ouvinte em um transe sublime através de muito barulho. Aqui a lisergia é alcançada através da evidência de timbres médios, característica marcante do formato cassete. Mesmo em faixas mais tranquilas como Cê, Insustentável, o barulho é presente tornando a composição mais árida e seca, sem deixar de causar uma hipnose surreal em nossas mentes. Talvez este seja um dos grandes destaque da banda: a possibilidade de criar uma canção com estruturas Folk e Rock experimentais, mas com uma sonoridade passada. Um trabalho de engenharia de som subestimado e fascinante.

Enquanto temos faixas mais calmas, o disco traz verdadeiras porradas que devem agradar bastante orfãos de Sonic Youth. A faixa de abertura já nos derruba de cara, nos desorientando com a mistura de timbres estridente de guitarras e um letra que nos bombardeia de informação a cada segundo. O curto registro acaba revelando um toque de Frank Zappa, principalmente a fase de seu clássico disco Apostrophe (‘), de 1974, um nome indispensável de se estudar quando o assunto é psicodelia.

Hierofante Púrpura acerta neste novo registro, produzindo um registro coeso e bem estudado. É um nome para se ficar atento e esperar grandes experimentalismos por vir. Um EP caótico, nostálgico, lisérigo e hipnótico em pouco mais de dez minutos.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.