Resenhas

Holy Ghost! – Dynamics

Segundo disco do duo eletrônico abraça influências dos anos 1980 mas oscila entre faixas excelentes e outras um tanto descartáveis.

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Ano: 2013
Selo: DFA Records
# Faixas: 11
Estilos: Disco, Eletrônico, Synthpop
Duração: 50:00
Nota: 3.0
Produção: Holy Ghost!

A retomada pelo gosto de sintetizadores e afins encontrou o seu espaço quando o LCD Soundsystem surgiu para o mundo no longínquo 2005. A partir de então, o Indie abriu as portas e concedeu espaço para que a volta aos ritmos dos 1980 . Não é a toa que o selo do próprio finado grupo, DFA, começasse a investir em artistas do estilo, dentre eles o divertido e descompromissado Holy Ghost!.

Aliás, falta de compromisso deve ser a primeira ideia a surgir na sua cabeça quando o segundo disco do grupo começar a tocar. Um misto de texturas do Disco com músicas que lembram trilhas-sonoras para os filmes daquela década parecem ser o carro chefe de Dynamics. Você até pode se questionar se uma retomada de uma década conhecida pelos seus excessos na música como baterias eletrônicas compostas com timbres meio rudimentares, pudesse encontrar espaço nos tempos atuais, mas felizmente ela encontra.

No entanto, não espere grandes invenções ou um novo LCD Soundsystem. A grande intenção é retomar o espírito do sonho americano de dirigir esportivos conversíveis ao longo de costas ensolaradas. Já jogou GTA Vice City? Esta é a vibe presente aqui. Escute faixas como It Must Be the Weather ou Disco Dumb Ideas e tente não se imaginar na atmosfera de uma Miami da vida. Descartável como grande parte das ideias daquela época, devido ao seu caráter comercial, o Holy Ghost! faz um trabalho digno aqui e consegue em alguns momentos se destacar bastante.

Apesar de o disco demorar para engrenar ou simplesmente mostrar o seu grande momento, quando ele realmente aparece, conseguimos perceber o surgimento de hits certeiros para as pistas. I Wanna Be Your Hand é um deliciosa balada que mesmo com um título tão bizarro demonstra a capacidade de absorver o melhor do sintetizador viajante do período. Bridge And Tunnel é oitentista em alguns aspectos como os backing vocals robotizados ou os elementos de sopro no refrão, mas demonstra uma certa vanguarda com sua ótima linha de teclado.

Algumas faixas são bastante descartáveis e não trazem nada demais como a chata Changing of the Guard ou a insossa Okay. A grande surpresa fica para o final com a excelente e viciante Cheap Shots. Crescente e composta com um percussão bem característica da época, traz ao imaginário uma luta “emocionante” sendo passada na Sessão da Tarde. Com uma ótima melodia traz o lado sintético do duo um pouco mais próximo dos tempos atuais e certamente estará presente nas pistas de dança em breve.

Propositalmente, a melhor faixa é deixada por último como justificativa de que tudo o que foi escutado até então valeu a pena. No entanto, deslizando ou viajando muito nos 1980, o Holy Ghost! não consegue desempenhar da mesma forma que o seus parceiros de casa, Rapture e LCD Soundsystem e faz de seu segundo disco um bom apanhado de referências que demoram para demonstrar o seu real valor. Algumas ótimas faixas são jogadas no meio de um disco coeso mas não tão memorável assim. Se interpretado sem compromisso, as expectativas certamente não ultrapassarão a realidade o que certamente não causará frustração ao ouvinte, somente uma diversão interessante e descartável.

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BOM PARA QUEM OUVE: LCD Soundsystem, Hot Chip, The Rapture
ARTISTA: Holy Ghost!
MARCADORES: Disco, Eletrônico, Synthpop

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.