Resenhas

Honeyblood – Babes Never Die

Segundo disco do duo traz sonoridades brandas com essência Punk forte

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Ano: 2016
Selo: FatCat Records
# Faixas: 12
Estilos: Indie Pop, Punk Rock, Rock Alternativo
Duração: 39:00
Nota: 3.5
Produção: James Dring

“Quem inventou o Punk Rock não foi a Inglaterra, foram as garotas”. Frase célebre estampada em uma camiseta usada por Kim Gordon, ela sintetiza bem a trajetória do duo Honeyblood. Com um disco de estúdio e um EP gravado inteiramente em um banheiro usando apenas um microfone, o grupo transitou ferozmente entre sonoridade Punk e Lo-fi, trazendo viva uma experiência DIY, aliada a grandes referências do gênero como Sleater-Kinney e The Slits. Com esses ingredientes na mão, foi apenas uma questão de tempo até que esta bomba pudesse explodir, repleta de sujeira, distorções estridentes e letras extremamente pegajosas. Assim, o duo encara a tarefa de trazer à vida um novo capítulo de sua trajetória, assim como um desafio: afinal, como inovar em um gênero restrito sem “trair o movimento”?

Babes Never Die é uma metáfora intensa sobre o crescimento feminino e uma mensagem de empoderamento para jovens. É um tiro contra a obrigatoriedade de ser “bela, recatada e do lar”. Há um desapego da estética Lo-fi, porém o duo não abre mão em nenhum momento da filosofia Punk para entregar sua mensagem. Há claramente mais experimentações com sintetizadores, melodias mais Pop e distorções mais limpas, mas o ímpeto com o qual são cantados versos lamentosos e ácidos não afastam as garotas nem um pouco do centro nervoso do Punk. Pode parecer que é um disco mais suave e quentinho, mas é apenas uma capa que esconde a verdadeira faísca da explosão reprimida no núcleo deste trabalho. É como esconder dinamite em um ursinho de pelúcia: igualmente fatal.

A imersão neste universo começa com quarenta segundos de introdução, pintando uma paisagem caótica que logo se desenrola em um acorde aberto, pronto para bradar um grito de guerra. Note que isso não significa sempre um grito, como ouvido em Ready For The Magic e Sea Hearts. Às vezes, a força está escondida em melodias doces, como na excelente balada Cruel e na desoladora Justine, Misery Queen. Hey, Stellar é um ponto altíssimo no disco, trazendo uma voz quase hipnótica junto de acordes bastantes reverberados, tais como as composições da banda Hole. Gangs acrescenta novos elementos ao Punk, como uma batida mais lenta, quebradas interessantes e um refrão extremamente pegajoso. Por fim, Outro fecha o disco com uma faixa-sátira, como se após toda esta explosão elas fossem obrigadas a voltar a um estilo mais comportado e doce, mas o fizessem de uma forma extremamente forçada e até irritante, com baterias pré-programadas de Bossa Nova, melodias infantis e flautas doce estridentes.

Babes Never Die é um exemplo de como o famoso “teste do segundo disco” não abala ou faz o duo inseguro. Na verdade, com este trabalho, é como se Honeyblood pegasse este teste e ateasse fogo nele. Anarquia total sobre novas sonoridades. Um caminho extremamente promissor é revelado diante das novas guerreiras do Punk, dando cada vez mais certeza de que o Punk é com certeza uma invenção (e reinvenção) feminina.

(Babes Never Die em uma faixa: Hey, Stellar)

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BOM PARA QUEM OUVE: Now, Now, Hole, Best Coast
ARTISTA: Honeyblood

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.