Resenhas

Hospitality – Trouble

Segundo disco do trio passa pelo Pop e diversos gêneros mostrando-se gostoso de se ouvir

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Ano: 2014
Selo: Merge Records
# Faixas: 10
Estilos: Folk, Synthpop, Indie Pop, Indie Rock
Duração: 38:00
Nota: 3.5
Produção: Hospitality

Podemos dizer que o principal elemento de Trouble atende pelo nome de Amber Papini. A vocalista do trio Hospitality transita por diversos gêneros sem fugir de questões pessoais em suas letras e acaba desenvolvendo um belo sucessor de seu homônimo álbum de estreia. Assim como outros grupos ou atos compostos por mulheres nos vocais como Feist, Cat Power ou CHVRCHES, o poder do gene XX consiste na constante demonstração de fragilidade e força, sentimentos paradoxais mas que nunca são escondidos.

Logo, a doçura de uma mulher cantando sempre chama atenção, principalmente para os homens que podem se emocionar com a música feita pelo gênero oposto. Tais momentos acontecem com alguma frequência em Trouble e independente da falta de coerência entre atos tãos díspares, algo ainda os une de forma exemplar, no caso, o Pop. Ele está por todos os lugares, mesmo quando algumas faixas tem guitarras de Indie Rock, outras sintetizadores dos anos 1980 ou o famoso violão e voz do Folk, tudo leva a essa fácil audição.

Como as baladas Call me After, canção de final de tarde para tocar no violão em uma reunião de amigos ou Sunship, que surpreende quando um trompete surge no horizonte. Não são revolucionárias, mas são gostosas de ouvir. Assim como diz a faixa, It’s Not Serious, a seriedade é deixada de lada em alguns momentos pelo bem maior que é a criação de faixas apraziveis. Eu particularmente prefiro quando Amber se joga nas guitarras e se deixa levar um pouco mais pelo Rock N’ Roll como na abertura Nightingale, incursão no Blues de bandas como Black Keys e White Stripes e que se mostra muito certeira. Ou na melodia sincronizada entre o instrumento elétrico e voz em I Miss Your Bones e a swingada Going Out, música que denuncia um interesse oculto na simples “saidinha”.

Tais momentos ficam resumidos ao início para depois aos poucos o pé ser levemente tirado do acelerador. As músicas com toques de anos 1980 são talvez mais propícias para clubes devido ao seu caráter expansivo, mas soam genéricas e pouco imaginativas. Inauguration é ok enquanto Rocket and Jets viaja no tempo sem trazer nenhum souvenir interessante. A épica Last Words, em seus mais de seis minutos, entretanto, nos leva a crer que podemos esperar uma boa comunhão entre doçura e criatividade quando o eletrônico é bem utilizado. Viciante, mostra o Pop na medida certa e esconde o seu impacto para o final quando podemos perceber experimentalismos na guitarra, sintetizadores e voz.

Talvez este limbo de gêneros possa ser considerado um problema. Eu considero uma ótima tentativa de criar um som Pop com leves toques atuais e que chama mais atenção em alguns momentos do que outros. Evidencia, no entanto, que alguns estilos nos parecem mais interessantes e divertidos, principalmente o lado roqueiro de Amber. Neste segundo disco, ainda mostra que a vocalista é o ponto central do trio e que explorar a vocalista, algo notavelmente visto em Trouble, deveria servir para os futuros referencias que a banda pode tomar daqui pra frente e qual será o ponto de concentração. Logo, o foco em algum tipo de música talvez seja mais engrandecedor para o grupo daqui pra frente do que o pluralismo estilístico. Pelo momento, podemos nos deliciar sem compromisso por doces e belas canções.

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BOM PARA QUEM OUVE: CHVRCHES, Cat Power, Feist
ARTISTA: Hospitality

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.