Resenhas

Hot Chip – Why Make Sense?

Grupo se afasta ligeiramente do Pop em direção ao autoconhecimento

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Ano: 2015
Selo: Domino Records
# Faixas: 10
Estilos: Synthpop, Indie Eletrônico
Duração: 44:49
Nota: 4.0
Produção: Mark Ralph, Hot Chip

Não é todo dia que nos deparamos com uma banda de Indie Pop já na altura do sexto álbum de sua carreira. E a maturidade evidente em Why Make Sense? – mesmo que denote em seu título uma espécie de crise existencial – mostra que o o caminho de Hot Chip até aqui não passou sem aprendizados.

O primeiro sintoma, e mais evidente, que podemos notar no novo trabalho é a qualidade das canções, que, embora sofram uma retração na produção (podemos notar aqui uma quantidade menor de layers do que o usual de Hot Chip), caminham para um maior equilíbrio e moderação, sabedoria do conhecimento adquirido com tantos trabalhos já lançados. Explico: parece que Alexis Taylor e sua trupe não se empanharam tanto na arquitetura dessas faixas – não existe aqui o apelo Pop de Ready for the Floor ou de Over and Over, por exemplo – justamente porque parecem essas ter brotado com mais facilidade.

Não é só a experiência de lançar álbuns que a banda carrega, mas também o período de convivência entre seus integrantes, vinda das apresentações ao vivo, que credenciam Hot Chip como um “grupo” experiente, além de tudo. Por isso mesmo, tal fluidez, tanto em suas relações, quanto no seu modo de compor, traz consigo novas características para a banda inglesa. Dizer que Why Make Sense? destoa do restante da discografia de Hot Chip seria exagero, sem dúvidas ainda temos o mesmo Synth Pop dançante de teor Indie aqui, sua marca registrada. Mas afastam-se (talvez inconscientemente) aquele humor quase sarcástico e seus timbres mais abrasivos e eufóricos.

Why Make Sense? contém uma liquidez inerente, uma melancolia discreta, e um charme que apela mais ao groove do que ao Funk. Mesmo a despeito de alguns fatores de marketing externos à essência de Hot Chip, como suas capas exclusivas e seu logarítmo secreto, ou mesmo a participação excêntrica de Kelvin Mercer (do trio De La Soul), a ausência de hits e singles talvez seja sintoma da tal crise existencial, que, sem juízo de valor, conduz Hot Chip para um som mais maduro, inteligente e que pensa mais em si mesmo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Todd Terje, LCD Soundsystem, Metronomy
ARTISTA: Hot Chip

Autor:

é músico e escreve sobre arte