Resenhas

Hudson Mohawke – Chimes EP

Após três anos produzindo outros artistas, escocês lança trabalho que abre novos caminhos para sua música

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Ano: 2014
Selo: Warps Records
# Faixas: 4
Estilos: Trap, EDM
Duração: 11:00
Nota: 3.0
Produção: Hudson Mohawke

Se ontem resenhamos o aprendiz Redinho, hoje nos vemos falando do primeiro lançamento solo em mais de três anos de Hudson Mohawke, seu “mentor”. E muita coisa aconteceu na vida do escocês neste triênio. Após a união de forças com Lunice formando o explosivo duo TNGHT, diversas portas se abrirem – o produtor deixou sua marca em faixas de Kanye West no elogiado Yeezus e também fez trabalhos para Drake e Pusha-T, nomes evidentes no Hip Hop em 2013. Logo, podemos dizer que ele esteve bem acompanhado recentemente, o que torna o seu EP bastante esperado. Em sua curta duração, Chimes mostra a evolução sonora de seus projetos e tem alguns bons pequenos momentos.

A faixa-título não deve nada ao Trap atual, sendo evidentes as claras influências que o produtor tem em TNGHT. A faixa mais bem produzida, com espaço para a calmaria no meio do caos de seu baixo grave, evidencia um maior cuidado com pequenos elementos, como vozes de fundo e leves percussões, mas sem nunca perder o peso que deve ter. Não chamaria de inédita, tampouco ruim – não traz nada novo ao gênero e mostra que, mesmo assim, Hudson consegue criar músicas que devem explodir nas pistas de dança. Seu remix que termina o EP só acelera as coisas e tem uma levada de Drum & Bass, nada que mude qualquer estrutura, sendo bastante simples, na verdade.

As pepitas ficam com duas músicas que não lembram muito seus trabalhos anteriores e colocam o nosso foco para o que poderá vir a seguir. Brainwave tem toques psicodélicos sintetizados que devem fazer qualquer fã de Animal Collective sorrir – as influências aqui são claras e realçam uma música Eletrônica muito interessante e com diversas texturas. King Kong Beaver já tem o lado dançante que Rustie e Redinho tentam dar as suas batidas em um formato de expansão e contração como se estivéssemos diante da última volta de uma corrida no Mario Kart. O melhor momento consiste em sua introdução com um experimentalismo de sintetizadores que lembra bastante os primeiros trabalhos de Flying Lotus.

Onze minutos é pouco tempo para uma ausência de três anos, no entanto, se a música título de Chimes não é nada de inédita, os outros dois momentos demonstram que o trabalho de produção de Hudson Mohawke não se resume ao Hip Hop ou a batidas graves de Trap. Óbvio que temos motivos de sobra para vê-lo sob estas óticas, mas os caminhos parecem seguros para que o escocês possa seguir dois caminhos – um certo e outro incerto mas ambos com bastante qualidade de produção.

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BOM PARA QUEM OUVE: Redinho, Lunice, Rustie
MARCADORES: EDM, Trap

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.