Resenhas

I Break Horses – Chiaroscuro

Duo sueco experimenta toques obscuros ao seu já conhecido Dream Pop

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Ano: 2014
Selo: Bella Union
# Faixas: 9
Estilos: Dream Pop, Electro-Pop, Chillout
Duração: 45:52
Nota: 3.5

Maria Lindén e Fredrik Balck estão de volta com seu I Break Horses e suas batidas eletrônicas etéreas e sublimes. Praticamente repetindo a boa fórmula do bem elogiado disco de estreia, em Chiaroscuro temos a dupla diferenciando seu som apenas ao experimentar um pouco mais de um Electro-Pop mais sólido e de umas aclimatações mais sensualizadas e sombrias em algumas faixas, tornando a sonoridade do duo ainda mais surpreendente durante a audição deste belo álbum.

Chiaroscuro, o termo, é uma técnica utilizada por pintores renascentistas no século XV e que, como diz sua tradução do italiano, trabalha pelo uso híbrido de claro-escuro/luz-sombra em suas composições. E é essa mistura, do alvo com o obscuro, é que observamos neste novo disco da dupla sueca. Se em Hearts, primeiro disco do duo, observávamos uma notável posição voltada para o Dream Pop mais “claro”, no novo disco percebemos uma diminuição, vez ou outra, nessa cara mais amena que observávamos e uma maior tônica “escura” durante as canções.

Logo em Faith, segunda faixa do disco, podemos notar uma presença de batidas eletrônicas acompanhadas de vocalizações que dá o um ar levemente misterioso, mas sem soar tão doce quanto na canção Denial – que vem pouco após e remete a uma proposta menos carregada e mais solta a qual os fãs de I Break Horses estão mais acostumados a ouvir em faixas do primeiro trabalho, como Winter Beats.

Entretanto, é com a excelente dupla Berceuse e Medicine Brush que notamos ainda mais essa imersão levemente “dark”. Na primeira faixa, uma ambientação mais sombria e que, mesmo com os vocais etéreos de Maria, com um minimalismo na percussão e maior introspecção, resulta numa faixa que serve quase como uma introdução ao ouvinte para a segunda citada.

Possivelmente a melhor música do disco, Medicine Brush é uma explosão interna de sentimentos e resume a possível proposta que Maria e Frederik estão mirando e experimentaram neste novo disco. Com seus sete minutos de duração, a faixa inicia-se entorpecente e ganha aos poucos novas camadas e precisos acordes de teclas – graves em sua maioria -, dando um ar altamente sensual e obscuro, algo como um olhar penetrante e instigador em meio a uma escuridão total. Fascinante e atraente, a canção mostra uma ótima execução da dupla para uma possível, e bem vinda, transição para patamares mais obscuros, mas ainda mantendo características delicadas e que já se fazem de seu costume.

Ao final, Heart To Know arremata a obra com seu instrumental e vozes arrastados e extremamente suaves, lembrando muito alguns encerramentos de obra do grupo francês M83 – com o qual I Break Horses chegou a sair e turnê – e nos dá ainda mais garantias de que os suecos irão tomar os rumos para uma proposta mais recolhida e introspectiva.

Apesar de não tão dominantes durante a obra, percebemos algumas mudanças na sonoridade do primeiro para o segundo disco da dupla, sendo estas inseridas de uma maneira que apenas incrementou suas composições, e de maneira alguma as descaracterizou. Ainda mais intimista, Chiaroscuro se mostrou uma boa transição para o que pode estar por vir na carreira do duo, e que desde já tem total incentivo, principalmente por observarmos uma boa execução de tais novos elementos lúgubres em suas belas canções.

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BOM PARA QUEM OUVE: Chromatics, M83, Porcelain Raft

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).