Resenhas

Iceage – Plowing Into The Field Of Love

Banda lança disco com influências mais Blues e tenta sair da sombra de seu álbum anterior

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Ano: 2014
Selo: Matador
# Faixas: 12
Estilos: Punk Rock, British Rock, Post Punk Revival
Duração: 47:52
Nota: 3.5
Produção: Jens Bens
Livraria Cultura: https://itunes.apple.com/us/album/plowing-into-the-field-of-love

Mais difícil do que o “teste do segundo disco” é “o teste do terceiro disco”. Quando um artista consegue mostrar que sua estreia não era efêmera, produzindo um segundo álbum ainda melhor, as expectativas para o respectivo sucessor são tão grandes que isto pode atrapalhar o processo criativo, misturando expectativa do público com a expressão musical do artista. Iceage encontrou tal desafio no anúncio de seu novo e esperado disco Plowing Into The Field Of Love.

A questão principal e o maior questionamento que se passava na cabeça de boa parte dos ouvintes e entusiastas era o que eles mostrariam a público depois do excelente e extraordinário You’re Nothing, de 2013.

Vemos aqui que as coisas continuam com um ar Post-Punk, mas parece que o que mudou bastante é a interpretação e o consequente ambiente que as sonoridades das músicas geram. Enquanto no registro passado estávamos rodeados de um aspecto agressivo e uma ambientação tipicamente Punk dos anos 70, em Plowing Into The FIeld Of Love, encontramos o mesmo jovem Punk em uma espécie de confissão muito pessoal do que de massa.

É obvio que não podemos negar que ainda se trata de um disco Punk, mais direcionado para sonoridades de nomes como The Clash. Mas as referências extrapolam esta estética, a partir do momento que identificamos linhas mais melódicas nas faixas Forever, The Lord’s Favorite e Stay, uma influência clara de [Nick Drake] (http://wordpress-214585-650819.cloudwaysapps.com//artistas/727/nick-drake/).

Fica claro então para que lado Iceage seguiu: o Blues. Mas veja que aqui não temos um Blues comportado e simples como conhecemos de músicas de mestres imortais do gênero. É um tipo mais agressivo e, até mesmo, lisérgico. As harmonias, o timbre de voz “bêbado” do vocalista e uma percussão presente e típica do gênero de B. B. King auxiliam o ouvinte a extrapolar seu corpo e ir além dos limites da mente. O famoso “viajar”. As faixas Cimmerian Made, com sua bateria hipnótica, Simony, com um rítmo rápido e uma estética sonora parecida com um Joy Division do Blues e Abundant Living, de cordas irlandesas e ambientação pirata-taverna, são os melhores exemplos para identificar este fator “lisérgico bluseiro”

No fim das contas, o que fica é um disco interessante e muito acima da média mas que ainda convive na sombra de seu antecessor. A explosão sonora e o impacto de You’re Nothing ainda perduram (fato justificado pela proximidade de lançamento de um ano entre os discos) e assim parece que Plowing Into The Field Of Love é menor do que de fato é. Entretanto, não devemos nos enganar por esta aparente ilusão de ótica. Este é um ótimo registro que marca a evolução de Iceage em apenas um ano, mérito que muitas bandas não conseguem fazer. Uma obra de luz forte, mas que ainda combate com a luminância mais forte de eu precurssor.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.