Resenhas

IO ECHO – Ministry of Love

Apesar de produzir um Grunge Pop agradável, duo afeta material pelo deslumbramento e pela busca de um status cool precoce

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Ano: 2013
Selo: IAMSOUND
# Faixas: 12
Estilos: Grunge Pop, Lo-Fi, Dream Pop
Duração: 55:00
Nota: 3.0
SoundCloud: /tracks/46161969

Depois de um longo tempo dedicado à curadoria de arte junto ao MoCA (Museu de Arte Comtemporânea) de Los Angeles e à trilha sonora de Rebel, filme de Harmony Korine estrelado por James Franco, a dupla Ioanna Gika e Leopold Ross encontrou uma lacuna em seus projetos fixos para se dedicar ao disco de estreia da IO ECHO. Apesar do título Ministry of Love sugerir uma possível ligação com o famoso livro 1984, graças à variedade de ministérios que dominam a população da ficção, a inspiração dos artistas é focada em um outro viés.

O grupo traz em seu som influências asiáticas ao tocar, nas linhas estruturais de suas composições, instrumentos como a O-Koto, uma harpa japonesa semelhante a uma grande cítara, e Erhu, conhecido ao redor do mundo como um espécie de violino chinês. Os instrumentos, que tem potencial para deixar tudo muito caricato, se emaranham na construção musical que se dedica fielmente ao gênero Grunge Pop, trazendo refrões fáceis, vocalizações adocicadas e ecoadas junto de distorções de guitarras frequentes, ambientação Lo-Fi e uma despretensão e sujeira sonora propositalmente usada como charme.

O single principal, When The Lillies Die, resume da melhor forma todo o ideal concebido por Ioanna e Leopold, carregado de alguns diferenciais como percussões pontuais que soam como palmas e assovios que mostram qual o caminho The Drums deveria ter seguido em sua fase Portamento. Pincele Kate Nash dos lançamentos Death Proof e Girl Talk, Dum Dum Girls, cogite um clima menos melancólico de The Raveonettes e adapte Florence + The Machine ao dia a dia de quem toca numa banda de garagem e você tem um bom resumo do que foi produzido no material de estreia de Gika e Ross.

Bons momentos também são proporcionados pelas baladas pseudo-sensuais de Shanghai Girls e Addicted, que se mesclam a momentos mais místicos e etéreos como visto em Stalemate e na própria faixa título. A compilação toda é amarrada por uma camada latente provinda de uma raiz gótica, que pende entre o glamour exibicionista e o artístico prepotente. Tais afirmações são principalmente confirmadas pela derradeira faixa que se estende por quase quinze minutos, Eye Father, mas traz um intervalo de silêncio enorme sem um motivo palpável.

O primeiro disco da dupla não faz feio e consegue diluir em suas quatorze canções o ideal pretendido, no entanto resta ainda ao par de músicos decidir o que importa mais: A imagem cool aliada um conceito “revolucionário” ou então à dedicação essencial e visceral que todo disco merece.

IO Echo – When the Lillies Die

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.