Resenhas

Is Tropical – I’m Leaving

Pode não parecer, mas somente dois anos separam as duas obras da banda e nesse pouco tempo vê-se muito amadurecimento por parte do trio londrino

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Ano: 2013
Selo: Kistuné
# Faixas: 10
Estilos: Indie Pop, New Rave, Electroclash
Duração: 40:17
Nota: 3.0
Produção: Luke Smith
SoundCloud: /tracks/92136528
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fim-leaving%2Fid64284

Sempre achei no mínimo curioso como um single (acompanhado de um ótimo clipe) conseguiu segurar um álbum inteiro nas costas. Não que Native To (2011), primeiro álbum do então mascarado trio Is Tropical, seja um completo desastre, mas certamente não é o melhor representante da música feita em sua época. The Greeks, a tal faixa, ganhou um vídeo cheio de violência protagonizada por crianças (misturando animações cartunescas e atores reais) e foi o grande estopim para o grande sucesso de uma banda que não conseguiu emplacar mais nenhum grande hit com esse disco. I’m Leaving, porém, é uma obra diferente, mais coesa, sofisticada e certamente com mais senso de propósito – uma visível evolução da proposta original da banda.

Ainda sim, a fórmula é a mesma: unir o Indie Rock à Música Eletrônica (no que já rendeu comparações ao Electroclash e New Rave). Com menos reverberações, efeitos e sem grande parte da estética Lo-Fi vistos em seu debut, o trio inglês deixa suas músicas mais evidentes – por mais que seus erros também fiquem expostos. Quanto a ter um clipe que leve o nome da banda para todos os cantos, a história é um pouco diferente: Dancing Anymore cumpre o papel de single, mas falha ao trazer o grande buzz nas telas – ele pode até ser tão chocante quanto The Greeks, mas certamente não é tão divertido ou algo que você mostraria para todo mundo.

Sabendo desacelerar e tratar suas composições de forma diferenciada, o trio já começa a sua nova obra com uma faixa que mostra o Indie Rock como seu condutor. Sem deixar a parte eletrônica de lado, Lover’s Cave aposta em riffs simples e saturados da guitarra enquanto a bateria a conduz. Dancing Anymore vem em seguida se mostrando uma das melhores composições já feitas pelo grupo. Dosando o teor eletrônico (batidas, texturas e sintetizadores) ao baixo elétrico e ao duo de vozes, a banda parece corrigir muitos dos erros vistos em seu primeiro álbum.

Essa inversão de condutores (Indie Rock e Música Eletrônica) é vista em todo o álbum e o deixa consideravelmente menos cansativo. Mais ligados às melodias do que em simplesmente jogar beats dançantes, a banda encontra um novo senso de musicalidade. Cry volta a apresentar essa faceta roqueira (e um baixo incrivelmente pulsante), Sun Sun brinca com a sonoridade Pop noventista do Britpop, All Night flerta com o R&B e curiosamente duas músicas relaxantes fecham o muito bem o álbum (Toulouse e Yellow Teeth) – a ultima contando com os vocais de Ellie Fletcher do Crystal Fighters.

Mais completo e diverso, esse é um disco que não precisa ser carregado por um grande clipe ou single – por mais que Dancing Anymore possa cumprir esse papel . I’m Leaving é uma obra que consegue evidenciar grande evolução ao que foi visto em Native To e mostra também que a banda pode surpreender não só nas telas, mas no áudio.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts