Resenhas

Jacco Gardner – Cabinet of Curiosities

Em seu álbum de estreia, o holandês trabalha um Pop fantasioso com sons de outrora que desperta a nostalgia da infância

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Ano: 2011
Selo: Mind Records
# Faixas: 12
Estilos: Baroque Pop, Art Pop, Pop Folk
Duração: 41:30
Nota: 3.0
Produção: Jacco Gardner

Não sei se existem estatísticas pra isso, mas tenho certeza que nada remete mais à infância do que “casa de vó”. A decoração que atravessou gerações, as plantinhas, porta-retratos, os docinhos – cada elemento tem seu lugar nos cenários que compõem nossas memórias. Se ouvir Cabinet of Curiosities, o álbum de estreia de Jacco Gardner, não evocar tais lembranças, certamente servirá como uma ótima trilha para folhear recordações e fotografias daquela época querida da vida.

Digo isso porque elas trazem timbres e algumas construções melódicas que vão lembrar desde cantigas infantis a músicas de filmes fantásticos, daqueles com temáticas medievais de princesas, dragões e cavaleiros. Mais do que isso, elas parecem ter uma aura de ingenuidade muito grande, no melhor sentido do termo.

Mas não se engane se pensar que é um trabalho que agradará só quem estiver com seu lado pueril mais à flor da pele. Cada uma das faixas traz boas construções e viradas em harmonias muito bonitas que devem agradar o público que gosta desde The Beatles até Belle and Sebastian, passando por quem aprecia toda a turma que virou ícone do som Folk e/ou Pop com rico instrumental feito nos anos 70, como Simon & Garfunkel, Nick Drake, Vashti Bunyan e Fleetwood Mac, para citar alguns.

O holandês produziu e tocou grande parte dos instrumentos nestas doze músicas, todas feitas em seu próprio estúdio. Dá pra ver que ele caprichou e dedicou muito de seu tempo para confeccionar cada uma das composições. É difícil não ouvir o disco e ter ou uma resposta emocional ou mesmo se surpreender sobre como cada elemento parece surgir na hora certa.

Fica difícil ouvir o início de Where Will You Go, com um violão crescente e uma virada deliciosa de bateria, e não pensar “você está fazendo isso certo”, ou dar o play para começar a ouvir o disco em Clear the Air e logo esboçar um sorriso. São músicas tranquilas, singelamente bonitas na grande soma de seus elementos.

Seu maior porém é uma grande repetição que se apresenta ao longo de seus 41 minutos de duração. É bonito, mas é meio que sempre a mesma coisa. Puppets Dangling, The Riddle e Chameleon são as que mais saltam aos ouvidos, mas fica a sensação que faltou variar mais no todo.

De qualquer forma, vale a audição com uma postura nostálgica. Se você é desses que não tem medo de reviver algum lado da infância e encontram beleza na fantasia pueril, este álbum foi feito pra você.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.