Resenhas

Jackson Scott – Sunshine Redux

Segundo trabalho do jovem músico revela lisergia ímpar e papel secundário do Lo-fi

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Ano: 2015
Selo: Bloodmoss Records
# Faixas: 10
Estilos: Rock Psicodélico, Lo-Fi,
Duração: 32:16
Nota: 3.5
Produção: Jackson Scott
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/sunshine-redux/id956547489?uo=6&at=&ct=

O Lo-fi é uma preguiça. A estética que justifica a escolha de equipamentos de baixa qualidade e fidelidade por si só parece ter adquirido um status bastante privilegiado por músicos experimentais, o que acaba gerando pontos positivos e negativos. Se por um lado compositores precisam cada vez de menos dinheiro para conseguir registrar seus pensamentos e impressões em forma de música, uma gravação de baixa fidelidade já não é um alvo tão ferrenho de críticas da mídia especializada.

Por outro lado, essa carência de uma procura por sons cada vez mais fidedignos transparece às vezes certa preguiça, não necessitando que as músicas tenham um desenvolvimento poético e uma identidade sonora tão forte. Temos casos e casos na música moderna do lado negativo do Lo-fi, mas, certamente, o jovem Jackson Scott não se encaixa nesta faceta depreciativa da estética.

Crescido em meio à influência dos anos 1960, o jovem Scott se aventura em seu segundo lançamento de estúdio. O interessante de Sunshine Redux é como o compositor não se usa da estética Lo-fi como o elemento principal de sua obra, mas como algo que serve um propósito maior: a tradução de sua loucura interior. Circundado de uma lisergia ímpar, Scott se aventura entre efeitos de guitarra, reverbs, gravadores de fita em velocidades diferentes e camadas de eteriedade para demonstrar como as coisas funcionam dentro de sua cabeça.

Em dez faixas, ele não só faz isso magistralmente, mas consegue deixar seu trabalho parecido com um sonho: você não consegue lembrar com exatidão em que momento você prensenciou tal evento, você tem apenas vestígios de sensações da experiência que você acabou de passar.

Scott não foge muito da estética psicodélica, mas a exploração de timbres aqui é construída de tal forma que nos sentimos bastante confortáveis em meio a este delírio e, portanto, não nos cansamos tal facilmente. É um disco bastante instigante. Entre os melhores momentos, podemos citar Ripe Love com seus picos de adrenalina , Save The World e suas inspirações bastante noventistas e, por último, Merry Nightmare, uma composição que prima pela ausência de percussão exaltando um lado bastante Ambient e Post-Rock.

Em pouco mais de meia hora, Jackson Scott produz um disco que pode ficar escondido entre grandes nomes da psicodelia moderna, mas é certamente alguém para ficarmos atentos. Novos trabalhos apontam experimentalismos cada vez mais modernos na curta carreira do jovem músico e esperamos que bandas sigam cada vez mais seu exemplo: mais experimentações e menos preguiça.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.