Resenhas

Jair Naves – Atirado Ao Mar EP

Pequeno disco foi formado por músicas que não entraram no último álbum do artista

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Ano: 2015
Selo: Independente
# Faixas: 4
Estilos: Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 15:00
Nota: 3.5
Produção: Jair Naves

Quando Jair Naves lançou seu esperado segundo disco, Trovões A Me Atingir, duas coisas acabaram surpreendendo os seus fãs. A primeira, e mais direta, residia na partida de sua carreira rumo à grandiosidade e sisudez cerebral em uma obra bonita, crescente e menos colérica que E Você Se Sente…. Já a segunda surpresa residiu em uma faixa-bônus, presente somente em CD, que era encontrada como um brinde repentino.

Atirado Ao Mar é um EP que reúne, além da faixa-título antes escondida, outras sobras marcantes de um período extremamente frutífero na carreira do músico. A canção, por si só, já justificaria o lançamento do compilado, no entanto a pequena obra acaba-se revelando mais um relato interessante e doloroso de Jair. É curioso pensar como tão pouco tempo, apenas quinze minutos, pode conter tamanha melancolia e reflexões carregadas sobre vida. Passamos pela dor – elemento íntrinseco à sua obra artiística como um todo (incluindo com a banda Ludovic)- , a velhice, o anseio pelo amor e a esperança.

A levada largada e pseudo-alegre de Gélido, Invernal contrasta com seu contéudo desesperador em uma interpretação grave que nos joga mais dúvidas que certezas: “Quanta dor alguém pode sentir antes de desabar entorpecido pela própria dor? E nunca mais sentir dor? “. Já A Recusa, A Renúncia é possivelmente uma de suas músicas mais bonitas – uma eterna batalha e definitiva constatação de que ninguém é imune ao envelhecimento. Do lado oposto, Atirado Ao Mar é a música mais dançante e obstinada de Naves – o encontro melódico entre o autor e o esperado, mas reticente amor. A presença da música em concertos anteriores ao próprio lançamento de Trovões mostra a importância da composição para o músico.

Por fim, depois de se debruçar sobre desencontros amorosos, a dor e o inevitável tempo, o músico termina seu EP tentando encontrar soluções para sua melancolia. Converta em Algo Belo a Minha Dor é a sua prece e a certeza que outros caminhos, como a fuga, não o levam a lugar algum. Mesmo curto, Atirado Ao Mar acaba funcionando como o grito entalado na garganta de Jair Naves e a sua imediatez sonora nos mostra o poder desse sincero recorte de sua carreira.

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BOM PARA QUEM OUVE: Ventre, Yo La Tengo, Onagra Claudique
ARTISTA: Jair Naves

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.