Resenhas

James Blackshaw – Love Is the Plan, The Plan Is Death

Músico sabe equalizar o virtuosismo exacerbado comum aos artistas geniais como ele e faz um álbum emocionado e sensível

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Ano: 2012
Selo: Important
# Faixas: 6
Estilos: Folk
Duração: 38:45
Nota: 4.0

A virtuosidade de um músico por vezes acaba tirando o foco de sua obra e a joga em um vazio sentimental, transformando o mais puro talento em alguma espécie de experimentação sem emoção. A boa notícia é que James Blackshaw, um dos melhores violonistas da atualidade, deixa os exageros técnicos, comuns aos artistas geniais, de lado em Love is the Plan, The Plan is Death, um disco que nos mostra simplicidade em cada dedilhar de seu violão ou cada nota em seu piano. O artista não economiza nas notas, mas as usa com sabedoria passando em cada uma delas o que pretende.

Suas melodias, ora guiadas pelo violão, ora pelo piano, parecem carregar uma luta pessoal, uma batalha em busca de coesão e simplicidade na qual ele parece conter seus impulsos que os guiariam para a virtuosidade extrema – onde os que lá caem ficam presos à sombra de seu talento, deixando de lado um dos elementos mais importantes nas composições: o sentimento. A poesia parece brotar das cordas de seu violão. Cada acorde vem carregado de emoção, cada nota é um apaixonante som que nos comove.

Em entrevista recente, ele disse que o processo de gravação deste disco foi o mais difícil de toda sua carreira. O período de criação foi uma experiência tensa, que pode ser notada pela respiração que ouvimos durante as faixas e parece nos mostrar essa batalha que Blachshaw enfrenta. Por vezes, ele parece buscar no Folk suas inspirações, em histórias sem palavras que ele nos conta de maneira intimista e sincera, assim como acontece no estilo.

Em Love is the Plan, The Plan is Death, a música de abertura, dois elementos se entrelaçam: o violão, protagonista de quase todas as músicas, abre espaço para leves pinceladas do piano que distribui poucas notas, aparecendo por breves momentos e nos agraciando com sua efêmera presença. Já The Snows Are Melted, The Snows Are Gone fecha o disco em uma leve e melancólica música em que somente o piano aparece construindo uma melodia densa e graciosa em que parece haver uma sensação de perda.

And I Have Come Upon This Place By Lost Ways é a primeira música da carreira de James na qual a voz entra em cena. Geneviève Beaulieu entrega sua letra e seu vocal a uma canção que é esculpida pelo piano em formas sombrias e melancólicas. Mais uma vez com as respirações fazendo parte da música, em A Momentary Taste of Being, suas notas entram numa espécie de ciclo, criando um mantra no qual a repetição é quebrada pelo órgão que surge etéreo ao fundo.

É como se, em Love is the Plan, The Plan is Death, nós nos contássemos historias, com Blackshaw como uma espécie de guia que nos conduz por uma viagem através de suas belas músicas, mas as conclusões que tiramos desta experiência são pessoais e cada um pode fazer essa jornada de uma maneira diferente. É como se, no fim das contas, nos fizéssemos parte da narrativa, como se o músico tivesse feito este disco para você.

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BOM PARA QUEM OUVE: Phillip Long, Fleet Foxes, First Aid Kit
MARCADORES: Folk, Indie Folk

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts