Resenhas

JEFF The Brotherhood – Hypnotic Nights

O sétimo registro da banda aponta para outra direção e ousa, ao se aproximar do Pop e quebrar a sequência de discos puramente sujos

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Ano: 2012
Selo: Warner Bros.
# Faixas: 11
Estilos: Garage Rock, Rock Psicodelico
Duração: 40:45
Nota: 3.0

Nas terras roqueiras, o “Pop” sempre foi usado com um termo pejorativo e construir a sonoridade a base de algo que colocasse a banda no mainstream era inaceitável, ainda mais se tratando de um Rock mais sujinho e guitarreiro como o JEFF the Brotherhood faz. Mas não seria uma das bandas que é considerada a maior da história, a The Beatles, uma banda de Rock extremamente Pop? Não quero comparar muito as duas, mas a ideia aqui é a mesma: a tentativa de surgir no mainstream fazendo um som “igual, mas diferente” com um apelo altamente radiofônico.

Os irmãos Jake and Jamin Orrall sempre tiveram essa sonoridade cheia de sujeira e distorção desde seu primeiro lançamento, I Like You (2002), que se manteve quase inalterado até este novo disco. Dez anos depois, Hypnotic Nights traz muitos dos elementos de seus antecessores, mas mescla com um quê a mais de Pop, o que deixa o disco potencialmente mais interessante – e que certamente vai deixar a banda mais palatável para muita gente.

O sétimo registro do duo é cheio de melodias pegajosas, ocasionais “ooohs” e algumas palmas, além dos coros que o fazem bem divertido. Tudo isso aparece em uma só música que foi muito bem escolhida para abrir o álbum e mostrar o que se pode esperar em seu decorrer: Country Life é um dos grandes destaques e uma das que mais mostram a nova pegada da banda. O clima hedonista continua pelas faixas Hypnotic Mind e Staring at the Wall, que trazem a vibe festiva e Pop que a JEFF carrega neste trabalho.

Já as últimas faixas ousam e experimentam mais dentro do álbum. Hypnotic Winter tem um tanto de Psicodelia Pop com seu piano e sintetizador, que criam um clima bem diferenciado do que vinha se apresentando até então. O cover de Changes (do Black Sabbath) é outra que quebra totalmente o ritmo da obra, deixando as guitarras de lado e se concentrando nos sintetizadores para criar seu clima quase espacial. O charme da faixa vem com o vocal em falsete de Jake e a adição de backing vocals (que em algumas horas me lembram o solo vocal de The Great Gig In The Sky do Pink Floyd) que a engrandecem – sendo essa uma música perfeita para fechar o disco.

Aí voltamos à ideia do “igual, mas diferente”: Hypnotic Nights parece muita coisa já ouvimos, ainda mais se tratando deste estilo, porém difere-se ao trazer sua roupagem mais Pop. O resultado é muito agradável e o disco se mostra bem rico e coeso, mas poderia ter explorado melhor seus momentos mais experimentais que, no fim das contas, se tornaram bem mais interessantes que a fase hedonista do álbum – a que domina grande parte dele.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts