Resenhas

Jenny Lewis – The Voyager

Segundo álbum solo da cantora pode transformá-la em “popstar”

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Ano: 2014
Selo: Warner
# Faixas: 10
Estilos: Pop Rock, Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 40:05min
Nota: 3.5
Produção: Mike Viola, Ryan Adams

É bom que seja esclarecido algo: Jenny Lewis é uma gracinha. Ruiva, talentosa, tecladista, independente, líder de banda crocante dos anos 00 (Rilo Kiley) e dona de uma voz surpreendente, a moça passou por maus bocados a partir da recente morte de seu pai. Desfez seu antigo grupo em 2007, soltando seu primeiro álbum solo, Acid Tongue, em 2008. Em seguida começou parceria com Jonathan Rice (Jenny And Johnny), lançando dois anos depois o simpático disco I’m Having Fun Now. Além destes, Jenny tem outro trabalho realizado em 2006, com as Watson Twins, Rabbit Fur Coat, tudo indicando que a menina sempre foi prolífica, dedicada, workaholic, mas precisava de foco.

Nas gravações mais recentes, Lewis encontrou no Pop aveludado da versão californiana de Fleetwood Mac uma confortável vereda para seguir adiante e se tornar a popstar que todos esperam que ela seja. O pedigree do primeiro parágrafo lhe concede uma certa integridade artística e um ar de novidade fora do eixo da música mais dançante e comercial feita nos EUA. Além disso, Jenny é esperta o bastante para não compor canções sobre banalidades, não hesitando em fazer da dezena de músicas deste seu segundo álbum solo um pequeno compêndio sobre relacionamentos fracassados, desilusões amorosas e sentimentos quase sempre voltados para o lamento por um tempo que já não existe mais. A esperteza também surge no cuidado e no truque de fazer tudo isso soar moderno, Pop, bonito, familiar e verdadeiro. Dá quase pra apostar em Lewis recebendo indicações para o próximo Grammy, desfilando coolzismo, algo que já podemos perceber pelas participações de gente como Anne Hathaway, Kristen Stewart e Brie Larson no clipe que antecipou este disco, Just One For The Guys.

A primeira faixa de The Voyager, Head Underwater, nos traz a bem vinda lembrança de que é possível ser mulher e fazer canções Pop sem necessariamente posar de biatch. Lewis desfila uma elegante liga sonora, clássica o bastante para agradar quem ouve rádios adultas de Rock datado quanto os mais jovens, que talvez nunca tenham vista uma Katy Perry fazer algo semelhante. Perry e Lewis não são artistas similares, mas são Pop o bastante para merecer esta comparação. She’s Not Me é outro exemplo de canção totalmente “sul da Califórnia”, com bateria soando como se estivéssemos em 1978, vocais singelos, guitarras harmoniosas, tudo no devido lugar. Just One For The Guys tem letra sobre machismo e confusão e instrumental polido, com refrão bonitinho. Mais Pop Rock clássico surge logo na guitarra satura da abertura de Slippery Slopes, balada clássica em midtempo, feita sob medida para as rádios, se alguém se dispuser a tocar.

Violões dedilhados introduzem a melodia de Late Boomer, com Jenny avisando: “when I turn 16 I was furious and restless”, reforçando o caráter “meu querido diário” que The Voyager tão docemente exibe. You Can Outrun Em é cheia de bateria rapidinha, voz docinha e guitarras atemporais que acompanham tudo. A sintomática The New You é outra beleza ensolarada, enquanto a bandeirosa Aloha And The Theree Johns tem guitarras com efeitos e bateria aerodinâmica. A guitarra que introduz Love U Forever permanece à espreita em meio ao contratempo e um tecladinho ambiente, que emolduram a voz de Jenny, antecipando a entrada do instrumental Popíssimo. A faixa título, encerrando o percurso de canções, é cheia de arranjos de cordas, mais letras confessionais e grandiloquência na medida certa.

The Voyager é o grande disco de Pop à moda antiga deste 2014. É polido, esperto, bem feito e vai colocar Jenny para o grande mercado de música.

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BOM PARA QUEM OUVE: Rilo Kiley, Fleetwood Mac, Feist
ARTISTA: Jenny Lewis

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.