Resenhas

Jeremih – Late Nights: The Album

Esperado trabalho consegue habitar diversos territórios ao mesmo tempo

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Ano: 2015
Selo: Def Jam
# Faixas: 15
Estilos: R&B, Hip-Hop
Duração: 57:48
Nota: 3.0
Produção: DJ Mustard, Vinylz, Mick Schultz, OZ, The Mekanics, London on da Track, Needlz, Donut, Soundz

A odisséia enfrentada por Jeremih por ocasião do lançamento de seu terceiro álbum acabou tornando-se o tema principal das conversas sobre o músico, mais do que, talvez, o álbum em si. Todavia, após um período de cinco anos desde o lançamento de seu último trabalho (All About You, 2010), e pouco mais de um ano após o lançamento de uma mixtape com o mesmo nome (Late Nights, 2014), intervalo conturbado por embates conjugais, conflitos administrativos vividos dentro do selo Def Jam e, portanto, sucessivos atrasos e adiamentos, Jeremih consegue, enfim, dar vida ao esperado Late Nights: The Album.

As duas facetas de seu nome, dividido entre título e subtítulo, conseguem dar conta do clima deste trabalho. Late Nights: The Album é a consagração do projeto apresentado na mixtape anterior e, por isso, leva o mesmo nome que esta. Assim como na anterior, aqui, o clima noturno se apresenta em diversas facetas: da temática sexual – que se desvela de modo mais sensual ou mais obsceno -, à festa, ao uso de drogas e, acima de todos estes, à presença de fantasmas que assombram a consciência do músico.

Musicalmente, o álbum também se apresenta de modo bastante heterogêneo (uma característica que muito provavelmente reflete a demora que este trabalho leva em sua composição). Se por um lado, o reflexo de sua parceria com Shlohmo ainda pode ser sentida (mesmo que esse último não faça necessariamente parte do time de produtores aqui), dada a a presença de batidas eletrônicas lânguidas, de outro, o música ainda mira em seu aspecto mainstream, como se quisesse forçar a sua carreira em direção às paradas da Billboard (na qual já figurou com seu single Birthday Sex).

Portanto, mesmo que Jeremih ainda pareça repartir sua atenção em dois ídolos principais (a saber, dividido entre o erotismo de R. Kelly e a contundência de Puff Daddy), seu trabalho perde lugar ao não se adequar exatamente ao hype de Frank Ocean nem ao Pop de Usher. Todavia, mesmo sem estabelecer seu território, é fácil de perceber a habilidade que Jeremih dispõe a pertencer a ambientes variados (cada um com seu interesse particular) e a sobressair-se com o lançamento de um bom álbum, mesmo que assombrado por conflitos pessoais.

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BOM PARA QUEM OUVE: Usher, R. Kelly, Frank Ocean
ARTISTA: Jeremih
MARCADORES: Hip Hop, Pop, R&B

Autor:

é músico e escreve sobre arte