John Frusciante – Enclosure

Criações do ex-Red Hot Chili Peppers revelam a grande liberdade criativa de sua carreira solo

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Ano: 2014
Selo: Record Collection
# Faixas: 9
Estilos: Rock Alternativo, Eletrônica
Duração: 37:35
Nota: 3.5
Produção: John Frusciante

Sejamos francos: John Frusciante não deve mais nada a ninguém hoje em dia, seja no sentido de provar seu talento e habilidades ou no de precisar agradar alguém. Há mais de 25 anos na música, ele chega ao seu 12º lançamento solo esbanjando a liberdade de fazer o que bem entender – e fazer bem feito.

Não sei até que ponto faz sentido chamar seu trabalho aqui de Experimental. Não tem cara de “experiência”, ele sabe mesmo o que está fazendo. Entretanto, algo que acontece bastante é uma maneira distinta de encarar cada uma de suas composições, o que pode parecer ter um caráter Experimental mesmo.

Enclosure sofre daquele mal de poder parecer, em uma audição desatenta, a uma só faixa do início ao fim. Contudo, escutá-lo ativamente deixa claro o quanto Frusciante gosta de variar em detalhes pequenos e outros nada mínimos de uma pra outra. Mergulhar no Eletrônico (Shining Desert) e explorar seu vocal em aspectos diferentes na mesma música (Sleep) já na sequência de abertura são algumas pistas do que encontraremos pela frente.

E ele tem um cuidado grande em trabalhar suas crias individualmente. Algumas são mais “celulares”, se desenvolvendo ao torno de um mesmo núcleo/melodia, enquanto há verdadeiras jornadas quase jazzísticas (Cinch) e outras com cara de “copiar e colar”, construídas livremente na mixagem (e Crowded é o melhor exemplo disso).

Frusciante se mostra a fim de bater suas asas para além da guitarra, embora seja ainda melhor quando leva o instrumento junto em voo (como na já citada Cinch). Stage, a melhor faixa do álbum e, coincidentemente, a que mais tem cara de hit, também faz isso. Mesmo assim, ele escolheu dar um vídeo para Run, a mais curta, dissonante e fragmentada de todas.

Por quê? Oras, por que não? Se você se interessou por ela e veio atrás das outras, ótimo, gostará ainda mais delas. Caso não tenha se empolgado, posso afirmar quase com certeza que ele pouco se importa. Frusciante tem feito música para si mesmo, explorando um universo de produção e composição muito diferente do ambiente de trabalho com banda a que foi associado por tantos anos.

Quem topar se aventurar com o músico, ganhará de presente faixas como Fanfare, uma balada aos moldes do romantismo mais brega que poucos sabem fazer sem parecer forçado. E é por motivos assim que vale a pena dar uma chance a Enclosure, um disco que consegue se mostrar divertido para quem sabe brincar e desce pro play.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.