Resenhas

John Frusciante – PBX Funicular Intaglio Zone

O primeiro disco eletrônico do ex-Chili Peppers traz um emaranhado experimentações feitos a partir de batidas computadorizadas, sintetizadores e versos de Rap

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Ano: 2012
Selo: Independente
# Faixas: 9
Estilos: Progressive Synthpop, Experimental Eletrônica
Duração: 36:58
Nota: 1.5
Produção: John Frusciante

Poucos discos me dão a impressão de que seu processo de idealização e gravação deram tão errado quanto o novo trabalho de John Frusciante. Ao ouvir PBX Funicular Intaglio Zone, você até pode imaginar que o músico quis trazer ao seu primeiro álbum eletrônico composições diversas, daí o uso dos vários elementos. Mas o resultado final é um verdadeiro monstro de Frankenstein, desfigurado e cheio de retalhos, que pode assustar até mesmo os mais acostumados com as obras experimentais de Frusciante.

Claramente, as ideias introduzidas no EP Letur Lefr estão presentes aqui, mas, infelizmente, os caminhos apontados naquele trabalho não foram bem utilizados. Mesmo com um aspecto estranho, aquela obra introdutória tinha alguns bons momentos – o que se torna raro quando transportado para o formato de álbum. Batidas computadorizadas, presença pesada de sintetizadores e versos de Rap fazem a vez por aqui, se juntando ocasionalmente com a guitarra de John, que, ao invés de engrandecer a faixas, parece lutar ferozmente para aparecer, buscando brechas para respirar em meio ao mar de elementos eletrônicos que inundam cada faixa.

Fora isso, as canções, em sua grande maioria, parecem ainda estar em seu estado bruto, como se fossem demos. Não estou falando de estética Lo-Fi, mas do que me parece um descuido do músico. Todas as variações, estilos e instrumentos parecem estar desconexos, como se várias camadas fossem empilhadas sem se importar com o que estava embaixo ou com que viria a seguir. Até mesmo as guitarras, que aparecem em outros álbuns como um dos elementos de maior destaque, aqui não passam de mais uma distração para a sonoridade criada.

Mais um fator decepcionante em PBX Funicular Intaglio Zone é a falta de tratamento para os elementos eletrônicos – as batidas são cruas, os sintetizadores são incrivelmente genéricos e os efeitos adicionam muito pouco ou quase nada as músicas. Além disso, os vocais de Frusciante são outro ponto negativo – assim como sua guitarra, parecem não encontrar seu lugar em meio de tantos retalhos sonoros.

O disco apresenta alguns momentos e ideias interessantes, mas que acabam arruinados pela performance ou pelo aparente descuido do músico em tentar repensar e reagrupar essas ideias, pelo menos, de forma mais coerente. A vibe Free Jazz de Bike que começa com solos de bateria, logo é perdida pela inserção descontrolada de sintetizadores e batidas. Guitar tem ideias interessantes, como a de juntar o som das guitarras com tendências do Dubstep, mas novamente a forma como é feita deixa muito a desejar. Raitug e Sum são boas músicas que acabam perdidas no meio de toda essa bagunça sonora que se tornou o álbum.

Certamente, este é um álbum experimental, não para a música em geral, mas para John, que há pouco tempo começou a se familiarizar com a sonoridade eletrônica. Porém, no fim das contas, parece que PBX Funicular Intaglio Zone não passa de muitos elementos reagindo e interagindo sem nenhum cuidado, sem nenhum refinamento extra e, sobretudo, sem uma noção de qual o resultado final a ser alcançado. É realmente uma decepção ver um músico como John Frusciante produzindo um disco desses.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts