Resenhas

John Grant – Pale Green Ghosts

Segundo disco do músico, ex-The Czars, é intencionalmente retrô, totalmente depressivo e foge do instrumental herdado do Folk Contemplativo ou do Country alternativo

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Ano: 2013
Selo: Universal Music
# Faixas: 11
Estilos: Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 60:46
Nota: 4.5
Produção: John Grant
SoundCloud: /tracks/73627706
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fpale-green-ghosts%2F

O segundo disco da carreira de John Grant é surpreendente. Este sujeito de Denver, Colorado, lançou seu primeiro trabalho sem sua ex-banda (The Czars) em 2010. Queen Of Denmark foi aclamado pela crítica como um dilacerante tratado sobre o amor em sua face mais cruel. Três anos depois, o sujeito retorna ao assunto, dessa vez, ainda mais detonado e massacrado pelo amor não correspondido. A barra com Grant é pesada, o cara se declarou soropositivo em recente entrevista, não é exatamente o protótipo do sujeito feliz.

Pale Green Ghosts é um disco intencionalmente retrô e capaz de apresentar armas logo na primeira audição. A idéia de Grant foi substituir o instrumental herdado do Folk contemplativo ou do Country alternativo por uma eletrônica gelada, antiga, fora de moda, mas que pode cativar pela esquisitice total. Para obter esse resultado, Grant viajou para a distante Reikjavik, capital da Islândia, para gravar com Birgir Pórarinsson, também conhecido como Biggi Vieira, responsável pelas sonoridades eletrogeladas de uma formação série B dos anos 90, o Gus Gus, que gravou ao menos um belíssimo disco, chamado Polydistortion, em 1997.

Temos então um álbum totalmente depressivo, com canções que remetem a uma pessoa sozinha num quarto de hotel, para o qual rumou com a cabeça repleta de más intenções para consigo. Em meio ao clima sombrio, uma sucessão de canções estranhamente tristes tem lugar. O início com a faixa título não entrega o jogo mas avisa ao ouvinte que todo o colorido do mundo está acabando. Parece que estamos num estúdio de Berlim nos anos 70, mas logo chegamos na segunda música, Black Belt, que sugere uma passada na pista de dança, a pior de todas elas, com alguns diabos indo e vindo, um globo quebrado e beats que se repetem desconexos. Vietnam é dramática, I Hate This Town é quase um gospel eletrônico, cheio de melodias belas e vários “fuckin’ town” na letra.

A eletrônica retrô é uma paisagem sonora bastante adequada aos lamentos de Grant e ele tem a manha de variar nos timbres de tempos em tempos. A impressão que fica é que ele saqueou os baús de Kraftwerk, Ultravox, Depeche Mode inicial e usou tudo que estava ali sem muita cerimônia. As exceções ficam por conta de duas baladas grandiloquentes e belas, GMF e It Doesn’t Matter To Him, cheias de sentimento de perda, mágoa e inconformismo, que poderiam estar no repertório de um Rufus Wainwright, caso este fosse triste o bastante para isso.

Pale Green Ghosts é uma parada dura. Vai te deixar triste mesmo que você tenha ganho na Megasena ou começado a namorar a Scarlett Johansson nesta manhã. Mas é grande música e grande arte.

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ARTISTA: John Grant
MARCADORES: Ouça

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.