Jon Hopkins – Singularity

Produtor propõe um mergulho meditativo em águas geladas

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Ano: 2018
Selo: Domino
# Faixas: 9
Estilos: Eletrônico
Duração: 62:10
Nota: 3.5
Produção: Jon Hopkins

Jon Hopkins, músico e produtor inglês, vem vivendo a música eletrônica dividido entre seu projeto solo, trilhas sonoras e participações especiais – caso de Diamond Mine, ao lado de King Creosote. Singularity é seu quinto álbum completo, projeto que vem balizado pelo antecessor Immunity. Este último, que chamou a atenção da crítica com sua música evocativa e texturizada, colocou Hopkins em uma posição bem cotada, a de um músico complexo, capaz de elaborar faixas tridimensionais dentro do espectro do mundo sintetizado.

Singularity é herdeiro de Immunity não só porque segue a mesma linha estética, mas porque nasce de uma mudança na vida do artista que tem necessariamente a ver com a passagem de um disco para o próximo. Hopkins viveu uma rotina atarefada, de centenas de shows e viagens, em turnê para a divulgação de Immunity e, assim, sentindo-se exausto, o artista começou a praticar meditação transcendental como forma de reencontrar o equilíbrio interior. Dentro deste estilo de vida, Hopkins também começou a flertar com mergulhos em água gelada – uma prática terapêutica conhecida no norte da europa.

Singularity vem marcado por uma busca meditativa, uma incursão introvertida de estados alterados da mente. É possível também pensar em um corpo que mergulha em um lago escuro, hiper gelado: choque térmico, tensão muscular, escuridão absoluta, texturas de gelo quebradiço são parâmetros que ajudam a entender o que está na música de Hopkins. Por isso, apesar de ser bastante delicado, Singularity não é monocórdico, tampouco sonolento. Pelo contrário, há um estado complexo de batimentos cardíacos acelerados, consciência corporal e êxtase muscular alternados com espaços vazios, onde tudo anda devagar.

Immunity lançou Hopkins para o mundo da aclamação, Singularity vem para retirá-lo daí, como um descanso mental necessário. Ouça a faixa Emerald Rush e C O S M para se ter ideia da viagem interdimensional proposta pela música em sua nova fase. Pode mergulhar sem medo.

(Singularity em uma música: Emerald Rush)

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BOM PARA QUEM OUVE: Tim Hecker, Boards of Canada, Four Tet
ARTISTA: Jon Hopkins
MARCADORES: Eletrônico

Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.