Resenhas

Jonas Carping – All the Time in the World

Primeiro álbum do músico sueco ajuda a construir sua identidade como um artista sensível que sabe comunicar de alma para alma

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Ano: 2012
Selo: Independente
# Faixas: 10
Estilos: Folk, Pop Folk
Duração: 35:59
Nota: 3.5
Produção: Martin Karlsson

Percebo que leva um tempo para se acostumar com a voz de Jonas Carping. Não que haja algo de errado com ela, pelo contrário, mas existe ali uma característica tão orgânica quanto refinada que a faz parecer espontânea e trabalhada ao mesmo tempo, seja no próprio timbre ou em sua interpretação. E, por mais qualidades que All the Time in the World tenha, o vocal é a grande estrela do disco

E isso é ótimo por se tratar do primeiro álbum do músico. Basicamente, tudo aquilo que ouvimos no seu EP Underground retorna ao longo das dez faixas – o violão melancólico, os arranjos de cordas e as composições Pop Folk muito ricas e agradáveis. A interpretação de Carping segue uma linha muito humana, oscilando em uma mesma música entre várias emoções que se agregam, mas não neessariamente se substituem. Sendo assim, uma música como Anything começa aparentemente desesperançosa, mesmo que com ele afirmando “I found peace in you”, e ganha um certo sorriso no refrão, mas sem perder a característica de antes.

É interessante como a direção adotada para o projeto foi a de fazer um disco com poucos timbres em cada faixa, como se a obra toda sussurrasse. Em alguns momentos, como Serenade e One More Song, a impressão que se tem é que aquele arranjo já estaria pronto para uma banda completa, mas ficam muito boas no formato com menos elementos.

Esse caráter acústico presente na maior parte das faixas contribui para a pegada mais orgânica da obra e um certo eco no vocal também contribui na naturalidade do todo. Quer dizer, All the Time in the World parece ser compromissado com o objetivo de comunicar aquilo que apenas é expressado quando saído direto da alma.

Como um primeiro álbum, ele reforça a identidade de Jonas Carping como um artista sensível que sabe se mostrar como tal, principalmente pela maneira com que ele escolhe mostrar seus versos, seja no vocal ou no instrumental. Em um próximo trabalho, pode ser interessante vê-lo arriscar outras maneiras de usar sua voz, desde que não perca sua forte humanidade.

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BOM PARA QUEM OUVE: Phillip Long, Leonard Cohen, Feist
ARTISTA: Jonas Carping
MARCADORES: Folk, Pop Folk

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.