Resenhas

Julie Byrne – Rooms With Walls and Windows

Cantora demonstra voz sincera e chama atenção apesar da semelhança entre as faixas de seu trabalho

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Ano: 2014
Selo: Orindal Records
# Faixas: 12
Estilos: Folk
Duração: 41:49
Nota: 3.0
Produção: Julie Byrne

Julie Byrne é uma cantora delicada. Sua voz parece sussurrar em seu ouvido enquanto versa com letras mundanas e, por que não, simples. Ao longo do seu trabalho de estreia, somos constantemente hipnotizados por uma certa ingenuidade, por um timbre de voz sereno e a sensação de que uma pessoa normal e real está diante dos microfones.

Baixo e acústico, Rooms With Walls and Windows é um disco de Folk campestre, como se tivéssemos Julie cantando em uma varanda em um sítio no qual não há mais nada ao seu redor além da natureza. Este clima íntimo e natural cativa os ouvintes mais desatentos, aqueles para quem uma música bem colocada pode mudar sua concepção de momento. Entretanto, esteticamente, o primeiro trabalho da cantora é bem simples e parece não se preocupar em se mostrar além do que isso.

Não vemos Byrne criar acordes elaborados, o uso de um ou dois parece ser o necessário para a construção de uma música. O violão é muito mais um acompanhamento percussivo do que um condutor de ideias, auxilia ao invés de motivar. Logo, devemos nos concentrar em como a sua doce voz consegue nos fazer prender atenção. Faixas serenas como Vertical Ray e Emeralds impressionam pelo comprometimento que a cantora tem com as seus trabalhos. Sentimos seu timbre percorrer cada verso de forma confessional e bastante apegada ao que é dito. A semelhança com o início de carreira de Cat Power é notável e elogiável.

Alguns elementos, entretanto, jogam contra a obra como um todo. Podemos deixá-la tocando do começo ao fim como um acompanhamento de fundo ou ouvir o disco de forma concentrada, ambos levarão, inevitavelmente, a um relaxamento excessivo, uma característica prazerosa e intrínseca ao trabalho. No entanto, os acordes circulares demonstram pouca variação dentro das faixas e entre as mesmas. Logo, somos entoados com canções serenas que nos levam naturalmente a um estado letárgico devido a sua repetição e um olhar mais atento irá notar uma leve semelhança entre as músicas, pois todas seguem a mesma estrutura: voz deliciosa, violão percussivo e a sensação de uma volume baixo.

Esta crítica se dá muito mais pelo potencial que pode ser percebido no trabalho de estreia e menos pela qualidade musical do disco. Faixas como Wisdom Teeth Song, Holiday e Butter Lamp demonstram paradoxalmente uma voz ingênua, mas segura de suas letras, emoções e no que quer passar. Deixa-se ao final uma sensação prazerosa, mas que devido à repetição pode ser poucas vezes revista. Quando as instrumentais Piano Music e Piano Music for Lucy, surgem, sentimos que o acréscimo de outros elementos musicais, e a fuga do usual aqui é bem-vinda. Como um bom primeiro encontro, mais íntimo e pessoal, Rooms With Wall and Windows empolga e apaixona, mas, como em qualquer relação posterior, vive da convivência, rotina e a partir daí, depende de cada um se o normal ou inesperado atrai mais.

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BOM PARA QUEM OUVE: Rubel, Cat Power, Feist
ARTISTA: Julie Byrne
MARCADORES: Folk

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.