Resenhas

Justice – Helix

Duo francês faz single com cinco faixas que são muito boas, mas que não conseguem justificar o lançamento de um disco extra a álbum “Audio, Video, Disco”

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Ano: 2013
Selo: Ed Banger
# Faixas: 5
Estilos: French House, Eletrônica
Duração: 29:10
Nota: 2.5
Produção: Justice, Gesaffelstein e Domenico Torti

Justice é um dos nomes mais celebrados da música eletrônica atual – disso ninguém duvida, nem mesmo a própria dupla. O lançamento do single/EP Helix é prova do quanto os produtores conhecem seu status, afinal não é qualquer um que consegue produzir hoje um lançamento com apenas três faixas já conhecidas e dois remixes.

Em outros tempos, quando o consumo de música vinha em forma física, era normal completar o espaço em branco dos discos com mais faixas, o que era também um incentivo a mais para o público comprar o lançamento – daí vem o conceito de lado-B nos compactos. Com a possibilidade da comprarmos cada música individualmente hoje, a maior justificativa para um lançamento desses é a dupla saber o status que tem. Mas, preciso perguntar, será que vale a pena investir em um disco desses?

Como um pequeno atrativo extra, a versão de Helix presente aqui não é aquela de Audio, Video, Disco (2011), mas uma estendida com um minuto e meio a mais, embora os quase quatro minutos e meio da original já fossem o suficiente. Não é das músicas mais empolgantes do Justice, mas também não faz nada, nada feio. Ela é divertida o suficiente para ganhar single, mas essa versão maior seria mesmo totalmente desnecessária se o novo e pequeno disco não levasse o seu nome.

Na seguida vem Presence, que se afasta da pista de dança com um pé na tristeza. É ela que encerra Audio, Video, Disco como uma faixa escondida dentro da música que dá nome ao álbum, mas aqui aparece com destaque. Com uma melodia bonita e doce, ela acalma os ânimos antes da também interessante Ohio, que já conhecíamos do mesmo disco. É uma boa canção, com participação de Vincent Vendetta (da banda australiana Midnight Juggernauts) e toda construída em torno de harmonias vocais. Se o EP acabasse aqui, teríamos uma música mais agitada, seguida de uma mais triste e uma terceira que fica no meio do caminho, um pequeno tríptico da French House com várias de suas melhores qualidades.

Mas eis que surgem os dois remixes de Helix, meio como bônus, meio como para justificar essa música dar nome ao disco. O primeiro é do produtor Gesaffelstein, uma visão mais agressiva da faixa com ajuda dos típicos timbres de sintetizadores do fim dos anos 80/início dos 90. Já a reconstrução de Domenico Torti é mais festeira e parece celebrar onde a original consegue nos levar ao ir mais além, com mais cores, cortes e recortes.

São cinco faixas boas, mas que não conseguem fazer um lançamento tão incrível quanto costuma ser esperado de Justice. Se alguém não quis comprar o último álbum, dificilmente vai se interessar mais por este single, já que ele não possui as melhores músicas do disco original. A dica fica para os entusiastas irem direto aos remixes – a não ser que Helix seja sua favorita, daí pode ser interessante receber a experiência como um todo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Madeon, Daft Punk, Breakbot
ARTISTA: Justice
MARCADORES: EP, Single

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.