Resenhas

Kate Bush – Before The Dawn

Um retorno triunfal aos palcos que escancara toda a grandiosidade musical e dramática de Kate Bush

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Ano: 2016
Selo: Noble and Bright
# Faixas: 29
Estilos: Art Rock, Pop Rock, Rock Alternativo
Duração: 155'
Produção: Kate Bush

Depois de 35 anos longe dos palcos, em março de 2014, a cantora inglesa anunciou uma série de 15 shows, com direito a sete apresentações adicionais, para agosto do mesmo ano. Os ingressos voaram em questão de minutos. O resultado do show foi lançado em disco, então Before The Dawn (2016), o disco ao vivo, também conta com efusivos e grandiosos aplausos. Organizado como álbum triplo, ao longo de 29 músicas, investigamos o trabalho da cantora de 62 anos a partir de Hounds of Love (1985), deixando o repertório dos quatro primeiros discos de fora.

As apresentações do novo show aconteceram no mesmo teatro onde ela havia “deixado os palcos”, o Hammersmith Apollo, em Londres. Segundo conta a BBC, no passado, os shows eram exaustivos e cheios de teatralidade, ou seja, uma enorme demanda de energia. Quando ela viajava com a Tour of Life em 1979, aos 21 anos, um fato trágico aconteceu durante uma montagem de um dos shows e tirou a vida de seu diretor de palco, causando uma enorme tristeza em Bush. Na época, a revista britânica Melody Marker descreveu a turnê como “o espetáculo mais magnífico já feito no mundo do rock”. Foi também para essa ocasião que ela desenvolveu o microfone headset, para que pudesse se mover livremente pelo espaço.

Agora, no retorno para as apresentações, tocou piano, acompanhada de uma banda de sete músicos, além de backing vocal e muitos efeitos especiais. Ao longo de quase 30 faixas, a história contada acompanha a transição da noite para o dia por meio da obra de Bush. Em entrevista ao jornal The Independent em 2016, a artista explica o conceito: “O que tornou o projeto interessante foi que havia essas duas narrativas em oposição uma à outra, e isso me permitiu criar uma peça de teatro, ao invés de ser apenas um concerto com teatralidade agregada. E eu senti que eles eram tão contrastantes: um está cheio de águas profundas e escuras, e o outro está cheio de luz dourada”.

O projeto demorou 14 meses para ficar pronto e conta com três atos, sendo o segundo composto pelo lado B de Hounds of Love, o The Ninth Wave. Enquanto o terceiro narra A Sky of Honey, presente em Aerial (2005). Não seria muito Kate Bush se não existisse algum tipo de desafio técnico envolvido. Para a gravação dos visuais de “And Dream of Sheep”, a artista ficou boiando em um tanque de água durante seis horas, com direito a microfones à prova d’água para captar o som do ambiente, em referência a personagem da música que está perdida no mar.

O primeiro ato se inicia com “Lilly”, do disco The Red Shoes (1993), e deste mesmo registro ainda há “Top of The City”. Do The Sensual World (1989) há uma versão inédita de “Never Be Mine”, que não foi tocada nos shows mas existe gravada no disco, sem contar os clássicos “Running Up The Hill (Deal With God)” e “Hounds of Love”. Na sequência de encerramento, “Tawny Moon” é uma colaboração entre Kate e o filho Albert McIntosh, que interpreta a faixa. A saga se encerra com “Among Angels”, de 50 Words for Snow (2011), e “Cloudbusting”, também do clássico de 1985.

Nada do que está no disco foi regravado por Bush, que também assina direção, produção e roteiro. Como a própria conta nas poucas entrevistas na época do lançamento, o tempo longe das apresentações não foi planejado, mas, conforme suas ideias se tornavam mais arrojadas, ela acabou se tornando uma artista que grava discos e videoclipes, em vez da que está sempre na estrada. Assim como se dedicou à vida familiar, também acabou demorando mais tempo para lançar músicas, então foi realmente uma surpresa para os fãs que esperavam tantos anos para testemunhar a performance de uma das mais importantes cantoras britânicas. O público e a artista saíram satisfeitos.

(Before The Dawn em uma faixa: “Hello Earth”)

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ARTISTA: Kate Bush

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