Resenhas

Kate Nash – Death Proof

Cantora inglesa mostra mais uma vez seu crescimento e, desta vez, experimenta e ousa mais, trazendo sonoridades completamente diferentes das que víamos em seu trabalho

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Ano: 2012
Selo: Have 10p Records
# Faixas: 5
Estilos: Indie Pop, Indie Rock
Duração: 17:20
Nota: 3.5

A inglesa Kate Nash tem uma carreira já consolidada e dá pra notar em seu trabalho uma constante mudança e amadurecimento. Seus dois primeiros álbuns trazem algumas semelhanças, mas também diferenças gritantes, frutos de seu crescimento como artista. Se compararmos esse crescimento a fases de uma pessoa, poderíamos dizer que Made Of Bricks (2007) seria sua infância. Mesmo que suas letras não sejam infantis, sua cara ensolarada e demasiadamente alegre remete à inocência típica desse período. My Best Friend Is You (2010) pode ser comparada à pré-adolescência, um período em que não se é criança nem adolescente. E essa é uma fase em que o comportamento misto entre os dois períodos é tão confuso que ser os dois ao mesmo tempo é absolutamente normal.

Mais uma mudança vem com o EP Deat Proof, que, se comparado com a adolescência, mostra a maior quebra com o que a cantora vinha realizando até então. A moça deixa a inocência e doçura de outrora de lado e toma uma postura hedonista e, às vezes, rebelde. Aqui, ela se mostra por meio de letras e arranjos que passam as sensações típicas desta fase: euforia, medo, incerteza e dúvida. Até mesmo os temas amorosos, uma constante na obra de Nash, se mostram aqui sob esta nova ótica, se adaptando à temática deste EP.

A faixa-título abre o disco escancarando tal mudança. Em cima de guitarras rasgadas, uma linha de baixo pulsante e um vibe roqueira, Kate canta sobre encarar a própria mortalidade e dilemas gerados ao enfrentá-la. Sua resposta para tais questões é um hedonismo imediato, o que a leva a “aproveitar a vida” e repetir por diversas vezes “I don’t have time to die”. O EP ainda conta com um cover de The Kinks, All Day and All of the Night, que ganha roupagem nova e expansiva e parece brincar com a versão original e tenta achar seu caminho através do passado, e alguns exageros vocais e líricos são notados em I Want a Boyfriend.

Assim como a adolescência, esse é um EP que parece tentar se encontrar e experimentar com um mundo novo se abre nesta fase. Só nos resta saber se em seu próximo disco, Girl Talk, Kate Nash virá ainda sob esta estética adolescente ou já como uma mulher.

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ARTISTA: Kate Nash
MARCADORES: Indie Pop, Indie Rock

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts