Resenhas

Kavinsky – OutRun

Produtor francês lança primeiro LP com estrutura narrativa de um filme em suas treze faixas, sendo oito delas inéditas

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Ano: 2013
Selo: Mercury Records
# Faixas: 13
Estilos: Retro Electro, French Electro, Glam Rock
Duração: 44'
Nota: 5.0
Produção: Vincent Belorgey

Sem pressa e de forma bastante talentosa e calculista, Vincent Belorgey vem fazendo seu nome na cena do French Electro naturalmente, como se aquele espaço sempre fosse dele. Kavinsky, como é mais conhecido, estourou em 2011 depois de sua faixa Nightcall cair no filme Drive, e é da cinematografia que vem a maioria de suas inspirações. Vem apresentando trabalhos soltos desde 2006 e cultua uma identidade que poucos conseguem manter tanto tempo e tão bem, tudo com uma roupagem moderna.

Depois de muita espera conciliada de muita ansiedade por já ter ideia do que viria, OutRun foi liberado. O álbum contém treze faixas com 44 minutos de muito French Electro e Acid House com pitadas de Rock e Hip Hop. As produções ainda continuam com a essência de Belorgey: músicas que inspiram uma visão audiovisual, como se fossem a trilha de um longa dos anos 80. E ele consegue. Prelude, que inicia o álbum, parece uma narrativa de introdução de filme. E o filme se chama OutRun.

Blizzard e ProtoVision trazem a atmosfera dos anos 80 com as guitarras. É construída uma narrativa que já conhecemos e tanto amamos, de forma moderna, como se fosse uma daquelas campanhas incríveis da Adidas que o Justice assina. Foi usada a receita simples do Electro-Pop com sintetizadores bem sombrios, estamos falando das faixas mais tradicionais do trabalho, com inevitáveis comparações aos pais Daft Punk. Vamos para a quarta e, talvez, a melhor faixa do álbum. Odd Look foi liberado há alguns meses na página de soundcloud do produtor, é a primeira com vocal e traz boas lembranças. Impossível escutar sem pensar que é uma continuação do trabalho de SebastiAn com a incrível Embody com a estrutura e falsetes similares e igualmente incríveis. Rampage mantém a ideia cinematográfica como uma progressão do suspense, contando inclusive com chamadas de filmes dos anos 80.

Em Suburbia, colaboração com Havok, serve como a primeira divisão do álbum. Uma versão moderna do dark com o Hip Hop é experimentado, passa a mensagem da originalidade e dá certo. Testarossa Autodrive é uma versão light e oitentista do trabalho do Skrillex em Devil’s Den, abusando dos solos de guitarras com os sintetizadores rasgados. Vamos então para a terceira, e última, faixa vocalizada do álbum: First Blood, mistura o Electro com o vocal de Tyson com tom bem Glam Rock, gritado, dançante, coerente para a faixa. Roadgame mostra a versatibilidade do produtor e ousadia em modernizar a fórmula que ele não se contentava. A música, que facilmente está entre as melhores, traz violinos para iniciar a faixa e mesclar com a batida marcada e seus synths tradicionais. Uma forma forte e delicada de encantar e marchar para o fim do álbum. Endless (poderia ter melhor título?) encerra OutRun com a estrutura que sabe fazer de melhor servindo para acalmar e dar um desfecho à história que começou.

OutRun é surpreendente, delicado, forte e ousado na dose ideal. Depois de três EPs, Belorgey mostra sua flexibilidade e habilidade de forma pontual e direta em seu primeiro LP, não sendo necessário rodeios para criação de sua própria narrativa através das músicas. A sombriedade serve como tom misterioso e intrigante, fácil de entender pra quem entendeu o perfil do “Driver”, no filme. Há um conceito que paira sobre o trabalho, há uma linearidade e um enredo que amarra cada faixa, desde a mais angustiante com colaboração de Lovefoxx, passando pelo mais ousado com Havok ou Glam com Tyson. Esses pequenos pontos provam os extremos que Kavinsky consegue chegar de forma graciosa. OutRun é uma leitura moderna do French Electro, usando novos elementos, criando uma nova receita pra fórmula do gênero. Com oito faixas inéditas, Vincent Belorgey mostrou que seu filme imaginário (pelo menos até então) é bem-feito, dirigido, produzido e que vale a pena cada segundo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Danger, Daft Punk, Justice
ARTISTA: kavinsky

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King