Resenhas

Kindness – World, You Need a Change of Mind

Em seu trabalho de estreia, o músico Adam Bainbridge faz um apelo em prol do gênero Pop em músicas que, com sua aparência inofensiva, tornam-se grandes provocações

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Ano: 2012
Selo: Polydor / Female Energy
# Faixas: 10
Estilos: Pop, Indie Pop, Synthpop
Duração: 41'
Nota: 4.0
Livraria Cultura: 29784102

Ouvir World, You Need a Change of Mind após assistir ao ótimo videoclipe de House deixa mais clara a ideia da mudança de mentalidade proposta no seu título. Poderia ser um manifesto em prol da paz, de algum novo sistema político ou econômico, mas, se tratando de Kindness, é apenas um pedido para reconsiderarmos nossas opiniões acerca do Pop.

Com muitos teclados e drum machines, o músico Adam Bainbridge (o nome por trás do projeto) entrega dez faixas muito bem construídas inspirado pela cena das décadas de 1980 e 90, sabendo dosar sonoridades em um equilíbrio brega e cool ao mesmo tempo.

Quer uma prova disso? Coloque o disco e vá direto para a sétima faixa, That’s Alright. Com seus vocais femininos e aquele teclado agressivo que a faz parecer ter saído de um tema de abertura de algum seriado qualquer cujas reprises já cansamos de ver. É tudo tão datado, tão irresistivelmente cafona, que fica difícil imaginar um resgate a uma época em que não se tinha consciência desses adjetivos em suas obras.

Ainda assim, é tudo muito bem arquitetado em composições sólidas de boa qualidade com arranjos bem pensados e letras – como manda o figurino – fáceis de memorizar e acompanhar enquanto se ouve o disco. É o caso da tal House, a do clipe, com o meloso refrão “I can’t give you all that you need/But I’ll give you all I can feel” e a naturalidade com que ela parece conseguir fazer até o mais mal humorado dançar – o que tem a ver com a despretensão que o gênero carrega, principalmente na época em que este álbum se inspira.

E é aí que aparece uma outra ideia para a mudança mental do título: a efemiridade com que se consome a música Pop. Os bons lançamentos de 20 anos atrás podem continuar bons, mesmo que gravadoras, produtores e até mesmo músicos tenham feito suas composições para não durarem mais do que uma temporada nas paradas de sucesso.

A longa introdução de SEOD, a levada R&B da cover de Anyone Can Fall in Love (a original foi lançada em 1986 pela atriz/cantora Anita Dobson), o vocal processado em Cyan e a dupla convidativa baixo e guitarra em Gee Up são alguns dos momentos tão atemporais quanto emblemáticos do álbum, que nos acompanha em sensações pelas faixas como um DJ que gosta de surpreender o público lhe colocando um sorriso espontâneo no rosto ao ouvir uma melodia familiar.

Pois é, o mundo precisa rever os seus conceitos. Kindness faz sua contribuição à mudança de pensamento com seu Pop que, de tão inofensivo, passa a ser provocador. Ainda assim, ouça-o sem medo.

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BOM PARA QUEM OUVE: The Rapture, Miike Snow, Mayer Hawtorne
ARTISTA: Kindness
MARCADORES: Indie Pop, Pop, Synthpop

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.