Resenhas

King Gizzard & The Wizard Lizard – Quarters

Ambicioso, EP se constrói a partir de quatro longas faixas com a mesma duração

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Ano: 2015
Selo: Castle Face Records
# Faixas: 4
Estilos: Rock Psicodélico, Blues Rock, Rock Progressivo
Duração: 40:40
Nota: 3.5

O solo fértil da Austrália não para de revelar novos nomes do Rock Psicodélico e King Gizzard & The Wizard Lizard é mais um deles sem ser apenas “mais um”. O coletivo tem a habilidade ímpar em atualizar os elementos psicodélicos dos anos 60/70, levando adiante o que seus conterrâneos Tame Impala e Pond já apresentaram em seus álbuns. Se Kevin Parker e sua turma embarcaram numa viagem espacial para seu novo disco, Currents, o septeto embarca em uma jornada temporal rumo à década de 1970 e traz de lá diversas referências lisergicas em Quarters.

Já pensou no que resultaria de um encontro entre Aqualung (Jethro Tull), Piper At The Gates Of Dawn (Pink Floyd) e Led Zeppelin I (Led Zeppelin)? A reposta pode ser esse potente EP. O grupo se esbalda nas referências ao Rock Psicodélico, Progressivo, Blues Rock e até mesmo experimentações com Jazz, gerando uma musicalidade retrô-futurista que acaba se tornando atemporal. Apesar da cara “hippie flower-power”, não há como negar que a música feita pelo grupo é também bem atual – Unknown Mortal Orchestra e Foxygen são também provas disso.

Apesar de ter somente quatro faixas, o EP se expande para mais de 40 minutos, sendo cada música responsável por exatamente 10 minutos e 10 segundos de duração. O desafio de preencher todo esse tempo de música sem deixá-las repetitivas é cumprido com louvor – talvez as tendências do Rock Progressivo tenham ajudado a banda nesse grande feito. Cada uma delas se abastece de novas ideias e sonoridades, buscando ter identidade própria em meio às tantas referências que o grupo usa. Isso abre precedentes também para as idiossincrasias da banda, como os efeitos sonoros nada comuns de Infinite Rise (como sons de animais e um zunido do sintetizador que sugere a tal subida infinita do título).

A abertura da obra fica por conta da jazzistica The River, que parece continuar de onde o álbum I’m In Your Mind Fuzz parou. Ela brinca com tendências mais clássicas dentro da Psicodelia, algo que pode causar um sorriso em fãs de bandas como JethroTull ou Can. Infinite Rise segue um clima diferente, embarcando em algo mais próximo à piração de Pink Floyd, com suas mudanças de volume nos canais e os efeitos sonoros que deixam sua letra ainda mais aparente. Mesmo bem pirada, a faixa funciona muito bem e consegue prender o ouvinte em uma audição atenta por seus mais de dez minutos.

God Is In The Rhythm é uma daquelas baladas sessentistas que você imagina tocando em bailes de filmes americanos. Ainda que tenha seu lado puro, a faixa tem também um quê sacana, como se o casal fosse sair do baile e aprontar alguma pela cidade. O encerramento, com Lonely Steel Sheet Flyer, surge como um caótico encontro entre a lisergia de Led Zeppelin e bom-mocismo de The Beach Boys e seu clima à beira-mar – música que deve agradar bastante os fãs de UMO.

Seja você um fã da modernidade retrô ou do saudosismo musical, certamente Quarters é uma obra que você poderá mergulhar de cabeça. Nele, novo e velho andam de mãos dadas, se fundem, se transformam em alguma projeção psicodélica disforme e, no fim, já não são mais coisas distintas, são somente música – muito boa, por sinal.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts