Resenhas

King Krule – 6 Feet Beneath The Moon

Estreia do músico inglês mesmo fugindo do comum e se apresentando como um bom disco, não rende tanto quanto poderia

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Ano: 2013
Selo: XL Recordings
# Faixas: 14
Estilos: Experimental, Jazz, Rap, Singer-Songwriter
Duração: 52:16
Nota: 3.5
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2F6-feet-beneath-the-m

Guitarra, baixo, algumas batidas e sua voz (sempre cheia de reverb). É basicamente disso que jovem Archie Marshall, mais conhecido como King Krulle, precisa para dar forma ao seu primeiro álbum.

Jazz, Dub e Rap se encontram em uma mistura quase minimalista que vai ao encontro do potente vocal do garoto. Esse misto inusitado teria um grande potencial para tornar 6 Feet Beneath The Moon um dos melhores álbuns do ano, como os singles Easy Easy e Neptune Estate bem mostraram. Porém a audição completa do disco se revela não tão completa quanto poderia, se tornando monótona em alguns momentos.

Não que as faixas sejam ruins (separadas, quase todas elas são ótimas), mas o pequeno número de elementos faz com que eles se tornem bem parecidas entre si. A culpa disto vem principalmente da produção que dá maior ênfase à (ótima) voz do garoto, parecendo deixar todo o restante lado. Com os arranjos em segundo plano, muitos detalhes se perdem durante a audição e sem o amparo de mais instrumentos ou elementos as faixas soam tão coesas ao ponto se tornarem muito lineares.

Outros elementos aparecem de forma esparsa durante a obra. O sintetizador interagindo muito bem com a guitarra em Foreign 2, o teclado criando o fundo para soturna Cementality, os metais em A Lizard State e Neptune Estate, as texturas de The Krockadile, os samples de Will I Come e o piano na jazzística Bathed In Grey são elementos que conseguem quebrar um pouco da dinâmica guitarra/batidas que permeiam quase todas as outras faixas e são elas que dão maior senso de mobilidade ao disco.

Fora a isto, as faixas que mais se diferem ganham forma do quase Rap com toques do R&B que Marshall cria. Com batidas típicas do estilo, o músico canta melodicamente onde caberiam rimas. Canções como Boarder Line, Foreign 2,Will I Come, Neptune Estate, The Krockadile mostram essa aproximação do garoto ao estilo e por mais que ele não esteja rimando, sua fluência e a forma de cantar caem muito bem para voz.

Se por um lado o disco não ganha tanto destaque pela sonoridade às vezes repetitiva, as letras do músico, potencializadas pela sua voz, ganham total destaque. Sua poesia musicada é esta cheia de passagens confessionais, letras de um jovem que saiu a pouco da adolescência, mas que já consegue enxergar a vida com certa maturidade.

Se colocássemos a experiência de se ouvir o disco em um gráfico, ele seria praticamente uma reta paralela ao eixo das abscissas. Por mais que 6 Feet Beneath The Moon fuja do obvio, o álbum não garante uma experiência tão rica ao ouvinte. Ainda assim a obra mostra o enorme potencial que King Krule tem em suas mãos e melhorando alguns aspectos mais básicos, o músico tem de tudo para se tornar um dos grandes expoentes da música inglesa daqui a alguns anos.

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BOM PARA QUEM OUVE: Thundercat, Mac Demarco
ARTISTA: King Krule

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts