Resenhas

Kisses – Kids In LA

Em ritmo oitentista, casal transita entre bons singles e faixas com sonoridade datada e que não superam aquilo que tentaram resgatar

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Ano: 2013
Selo: CASCINE
# Faixas: 9
Estilos: New Wave, Indie Pop, Eletrônica
Duração: 37:00
Nota: 3.0
Produção: Pete Wiggs e Tim Laracombe
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fkids-in-la%2Fid62996

Se em sua estreia com The Heart of The Nightlife, o par Kisses tinha um apelo dançante, mais positivo e com traços tropicais, seu retorno com Kids In LA traz um momento diferente ao público. Se antes a dupla trazia alguns dos pontos mais altos do verão, a mais valia de agora se concentra num período fora da temporada de férias. Faixas que traziam em seu seus títulos lugares sugestivos como Bermuda, finais de semana animados e relacionamentos a meia noite, agora provém momentos menos animados a beira da piscina (At The Pool) e fazendo apenas pose enquanto ajusta melhor a posição de seus óculos (Adjust Glasses).

As influências oitentistas vem numa grande crescente que chegou a chamar certa atenção com parte de canções divulgadas antecipadamente como em Air Conditioning e The Hardest Part, que de fato promovem os momentos mais animados entre Zinzi e Jesse,(o que traz uma compilação de sonoridades baseadas em sintetizadores facilmente associáveis a bons hits de nomes como Twin Shadow e Blood Orange, projetos esses que se destacam no meio fazendo um bom resgate da dance music sem soar datado.) Funny Heartbeat é uma das poucas canções que não foram reveladas antes e que também seguem essa mesma linhagem, resgatando um dos melhores momentos de sua estreia em 2010: um single que possa ser definido como música-tema para sua proposta de “trópico artificial” e que transita livremente, podendo virar um hit para se dançar ou então uma música divertida para ambientação.

A partir daí, tudo começa a ficar cada vez menos interessante e repetitivo. As faixas Bruins, Up All Night e Huddle lembram, em alguns momentos, como um pastiche de revivals revestidas de uma nova imagem, mas que no fim das contas soam como aquelas faixas que tocam na alta madrugada como programação automática até que o dia comece com o que realmente interessa ouvir. Um erro comum de bandas atuais ao resgatar gêneros marcados e mais antigos é não conseguir adaptá-los sempre aos dias de hoje e, no fim das contas, terminar com o estigma de pedante. Kisses em seu recente registro acabou no meio termo – não decepciona, pois consegue se esquivar do óbvio em alguns bons momentos, mas está um tanto longe de impressionar seja pela técnica ou pelo fator inovação. Menos pose e mais estudo é a dica da vez.

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ARTISTA: Twin Shadow
MARCADORES: New Wave

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.