Resenhas

Klaxons – Love Frequency

Terceiro álbum do grupo busca inovação tendo como base novas e velhas referências

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Ano: 2014
Selo: Akashic Rekords
# Faixas: 11
Estilos: New Wave, Indie Pop, Indie Rock
Duração: 46:08
Nota: 2.5
Produção: James Murphy, Tom Rowlands, Erol Alkan e Gorgon City

Teria jeito melhor que começar um álbum que traz um monte mudanças do que com uma faixa que nomeada New Reality? Essa tal nova realidade do trio Klaxons vem à tona logo na primeira canção de Love Frequency. Trazendo de volta alguns dos elementos da New Rave e alguns ecos de seu aclamado disco de estreia, Myths of the Near Future (2007), a faixa mostra que mesmo que alguma coisa em sua sonoridade tenha se perdido ao longo tempo, a habilidade do grupo em comandar uma festa dançante continua intacta.

Mais uma vez com um som pulsante e direcionado às pistas de dança, Love Freqency se assemelha com ambos, primeiro e segundo, álbuns do grupo. De Myths, o grupo renova o compromisso com sons mais abrasivos, frenéticos e diretos, enquanto se apropria mais uma vez do clima “alucinatório” visto em Surfing the Void (2010), por mais que pareça “usar” uma droga diferente desta vez. Mais eufórico do que viajante, o álbum é um convite para dançar sem parar ao longo dos seus 46 minutos e passear pelas novas e velhas referências do grupo.

Ao longo de onze faixas, o trio mostra suas abrangentes referências sonoras, mas certa estagnação lírica. Ao tratar do mesmo tema em diversas faixas, elas soam quase como uma grande faixa que foi quebrada em diversos pedaços espalhados ao longo de todo o registro (o que acontece, por exemplo, em Invisible Forces, Atom to Atom, Rhythm of Life e Children of the Sun). Se liricamente o álbum se torna repetitivo, sonoramente, isso acontece em poucos momentos, tirando um pouco dessa impressão de mesmice causada pelas letras.

Há a “volta da New Rave” em New Reality, presença do Electropunk em Out Of The Dark (ao mesmo tempo em que pode lembrar um desdobramento de New Order), um flerte com o Rock em Children Of The Sun (algo parecido com Kasabian em seus primeiros discos), algo entre o Electro-Funk e Synthpop em Invisible Forces e mais uma salada de outros gêneros nas demais faixas. A mistura não é uma coisa nova na música no trio, nem mesmo os estilos escolhidos para esta fusão, mas ainda assim esse processo continua interessante e certeiro quando o foco é manter o álbum dançante. A maior surpresa vem com Liquid Light, música instrumental (produzida por Erol Alkan e James Murphy) que se mostra bem amais calma e lisérgica. Tomando seu tempo para crescer sem urgência, ela é conduzida por sintetizadores cheios de eco e reverberações, um singelo piano dedilhado e uma bela guitarra refinada.

O maior problema de Love Frequency, porém, é não se tornar tão significativo, seja para a música contemporânea ou mesmo para a discografia da banda. Ao contrário de Myths of the Near Future, a nova obra do Klaxons não consegue chamar a atenção por carregar um estilo nas costas ou mesmo se destacar em meio a outras tantas obras dançantes que exploram essa mesma sonoridade. Neste novo álbum, o trio parece se camuflar em meio a tantas outras bandas e perder aquele quê de unicidade que tinha lá nos anos 2000. Ainda assim é um álbum divertido e deve embalar muita gente ao redor do mundo – afinal, o disco foi feito para isso.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts