Resenhas

Kolombo – My Own Business

O produtor belga parte pra mais um trabalho de sua carreira fazendo agora o Hip Hop e o Funk mesclarem com o melhor do Deep House

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Ano: 2012
Selo: 2DIY4
# Faixas: 4
Estilos: Deep House, Hip House, Funk
Duração: 24:45
Nota: 4.5
Produção: Olivier Grégoire

Kolombo é só uma das multifacetadas personalidades (ou alteregos?) de Olivier Grégoire. O belga é hoje considerado um dos mais completos em termos de referências em toda indústria, talvez por isso trabalhe tanto com pseudônimos. Mal terminou sua contribuição para o EP Wowshit pela Dynamic recentemente, que já resolveu trilhar por novos caminhos e ousar. Kolombo é só aquele que afunda na vertente do Hip-House, ou o Deep House, como é o gênero que o DJ está dedicando no momento, com samples únicos de Hip Hop. E apesar da correria, sempre que tem tempo, produz algo em seu próprio selo, Loulou Players, já mantendo apoio de Solomun, MANDY e Ahmed Richy. E pra mostrar essa fusão, o produtor lançou, através da 2DIY4, seu EP My Own Business.

Contendo quatro faixas, Gregóire inicia sua obra com a faixa que dá nome ao álbum. É com chocalhos e uma linha marcada no BPM 122 que My Own Business constrói sua baseline. O Funk tem boa influência aqui e o grave é a palavra de ordem. Toda a atmosfera é construída para ser recheada com um vocal típico do gênero que Kolombo quer criar. A faixa contém quebras que dão ainda mais ansiedade e consequente ênfase no compilado incrível de sintetizadores que escolheu. Mantendo a linha, Whatever U Like vem em seguida. A marcação ainda é forte e o vocal grave, que está virando mania entre os produtores de Deep House, dá suas caras logo de início. O Hip Hop divide espaço com uma base melódica que, em certos momentos, lembra até uma vibe intergalática.

Busta Ass tem maior percussão, apesar da base melódica. Trata-se de uma bateria bem oitentista e sintetizadores como se fossem resgatados de um álbum Disco Funk daquela época. O vocal, em loop, é intencionado para construir essa atmosfera, inclusive nos samplers que precedem o drop. Para encerrar, temos a faixa que o DJ criou pensando justamente nas gigs, Dancing of the Floor. Pra fechar com chave de ouro, os sintetizadores aqui na intro vão anunciando um trabalho que faz jus ao nome. Aqui, há corte de vocais, scratch e uma voz sussurrada lá no Funk dos anos 80 ainda. A música tem energia suficiente para englobar os elementos que o produtor quis trazer sem que haja uma ruptura entre o conceitual e o dançante.

Gregóire tem uma cabeça a mil e quer mostrar tudo ao mesmo tempo. Talvez esse seja o único erro que nos faz querer mais após as quatro faixas, porém cada uma ajuda numa viagem interior de sensações. O oitentismo ajuda na fórmula, o Hip Hop traz a ousadia e o gênero dá a impressão de algo que parecia óbvio, mas que nunca tinha sido pensado antes. Não é novidade que Kolombo iria conseguir passar sua mensagem sem nenhum ruído. Sendo cabeça de tantos projetos paralelos e mentor dessa quantidade de nomes recentes, é improvável que não prove sua experiência e habilidade na sua tentativa certeira de trazer a tão famosa “funkmosphere” pros tempos atuais de forma única e envolvente.

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BOM PARA QUEM OUVE: Him Self Her, Amine Edge, Digitaria
ARTISTA: Kolombo

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King