Resenhas

Kylie Minogue – DISCO

Depois de se aventurar pelo Country, a estrela australiana retorna devota à Disco Music que sempre manuseou tão bem

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Ano: 2020
Selo: Darenote/BMG Rights Management
# Faixas: 16
Estilos: Disco, Electropop
Duração: 53’
Produção: Sky Adams, Duck Blackwell, Teemu Brunila, Linslee Campbell, Jon Green, Kiris Houston, Troy Miller, Nico Stadi e Biff Stannard Ph. D.

Justamente em 2020, muita música boa chegou com a intenção de fazer dançar. Com a Covid-19, as pistas de dança deixaram de ser uma opção do sábado à noite e o público mais agitado teve de afastar os móveis para dançar na sala com as câmeras do Zoom ligadas. Nas caixas de som, a trupe de artistas Pop que resolveu apertar o botão da máquina do tempo e resgatar a áurea extravagante que tomou o mundo em 1977: a Disco Music

Future Nostalgia, de Dua Lipa, lançado em março de 2020, foi o primeiro desses grandes lançamentos, amparado por um Dance Pop elegante, cheio de synths brilhosos e guitarras retrô. Na sequência, Lady Gaga mirou no pós-EDM e firmou parcerias com a sensação do K-pop Black Pink, além do amigo de longa data, Elton John. Em junho, Jessie Ware apostou – e acertou – no minimalismo eletrônico e também acenou para a década de 1970 e 1980. Com tanta busca ao combustível que guiou toda uma geração das pistas, Kylie Minogue não podia ficar de fora – afinal, a artista australiana explora e brilha por essa atmosfera há quatro décadas, com ou sem uma onda retrô. Sendo assim, no dia 6 de novembro, Kylie lançou o 15º álbum de estúdio, DISCO. A menção não poderia ser mais óbvia.

Para o registro, a artista se despediu da faceta country de Golden (2018) – não muito bem compreendida pela crítica especializada e pelos seguidores das batidas que ecoavam na Studio 54 – e dedicou sua energia a canções cintilantes dignas da era Disco. (Ironicamente, durante um dos períodos menos calorosos da história). Todas essas referências não só foram sonoramente resgatadas como aparecem explicitamente entre as linhas das canções, como em “Where Does the DJ Go?”, quando Kylie evoca o hit “I Will Survive”, de Gloria Gaynor, e a coreografia Electric Slide, em “All the stress in my mind / Singing I will survive (survive) / Just wanna move / So much closer to you”.

Com Donna Summer, a própria Gloria Gaynor e a banda Chic como gurus musicais, DISCO chega cheio de criações modeladas por guitarras rítmicas, vocais com reverb, arranjos orquestrais e synths. A cada nova faixa, a artista se debruça nos ritmos que embalaram as décadas mais marcante do gênero, munida de um discurso hedonista. Na abertura, “Magic”, surge entusiasmada sob batidas estraladas e um refrão melódico: “Boy, do you believe in magic?”. Enquanto “Supernova” traz vocais robóticos com efeitos metálicos e astral intergaláctico (“Baby, all I need / Is just a little bit of your starlight / You’re my supernova”). A faixa, com certeza, é um ponto glorioso do álbum.

A maior parte do registro foi escrita e gravada pela própria Kylie em casa, em Londres, mas DISCO conta com um grande time – nomes como Sky Adams, Duck Blackwell, Teemu Brunila, Linslee Campbell, Jon Green, Kiris Houston, Troy Miller, Nico Stadi, Biff Stannard e Phill D. aparecem no álbum. Além disso, Kylie faz sua estreia nos bastidores da engenharia de som e soube canalizar exatamente o que o público precisava para preencher o set das baladas online. Depois de todos os lançamentos embriagados pelos reflexos dos globos metalicos, DISCO foi o encaixe a última peça de um quebra-cabeça, a validação definitiva do que o gênero ainda pode – e vai – fazer por nós. E por longos anos.

O álbum, alçado pelo selo autoral Darenote e BMG, pode até não ter a energia triunfante de Fever (2001) e Body Language (2003) – de “Can’t Get You out of My Head” e “Love af First Sight” – mas é coeso e contagiante e tem momentos de brilho dançante, especialmente em “Miss a Thing”, “Real Groove”, “Supernova” e “I Love It”. Sem se interessar em qualquer experimentalismo, DISCO enfatiza a paixão da artista pelas batidas que sempre dominou muito bem e entrega um compilado de 16 faixas cheias do entusiasmo dos anos 1970, com referências musicais seletas e uma lembrança afetuosa da “vida normal”.

(DISCO em uma faixa: “Supernova”)

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ARTISTA: Kylie Minogue