Resenhas

Lake Street Dive – Obviously

Com adição certeira de tecladista, quinto disco cria experiência envolvente e convidativa, mesclando R&B, Soul e Rock retrô

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Ano: 2021
Selo: Nonesuch Records/WEA International
# Faixas: 12
Estilos: R&B, Soul
Duração: 42'
Produção: Mike Elizondo

Lake Street Dive é uma banda norte-americana que ficou conhecida pela mistura despretensiosa da dupla R&B e Soul com um Rock de jeitão antigo, o que confere uma cara gostosa, despojada e bastante familiar ao seu som. E ele se torna ainda mais acessível com letras sinceras e, às vezes, bem-humoradas para contar histórias de amor e relatos da vida contemporânea.

Obviously, quinto álbum de estúdio do grupo, é o primeiro em que LSD (pausa para sorrir de canto de boca com essa sigla) assume a formação de quinteto com a adição do tecladista Akie Bermiss. Desta vez, então, sua música chega mais volumosa e com um suingue extra, o que só contribui ainda mais para a personalidade que já se estabelecia entre a estética sonora e seus versos.

Isso é sentido já na primeira faixa do disco, a deliciosa “Hypotheticals” (cujo verso de abertura batiza a obra). Com jeitão de hit, a canção introduz o ouvinte ao seu estilo atemporal nos arranjos e, principalmente, à voz de Rachael Price, a grande protagonista da obra. Seu timbre lembra P!nk nas faixas com mais energia (como “Hush Money”), Joss Stone nas mais suingadas (“Same Old News”) e Karen Carpenter nas baladas (“Nobody’s Stopping You Now”, “Anymore” e “Sarah” são os melhores exemplos). São três nomes com pouco em comum, mas de uma variedade que tem tudo a ver com LSD – ou, mais precisamente, com Obviously.

Essa característica é explorada com gosto pelo produtor, Mike Elizondo (um cara que tem a variedade como identidade, tendo já trabalhado com todo tipo de gente, de Twenty One Pilots a Eminem, de Young the Giant a Ciara, de Gary Clark Jr. a Jonas Brothers). Por isso, o disco traz de faixas com a guitarra em primeiro plano e coro de vozes (“Making Do”) a uma percussividade mais próxima do Indie dos anos 2010 (“Feels Like the Last Time”, na qual Rachael encarna sua Fiona Apple interior), passando pela divertida “Know That I Know”, feita para Akie brilhar com suas teclas em meio ao timbre de guitarra também do Indie.

São detalhes certeiros que garantem um grande frescor ao longo do repertório, que, se não tivesse esse cuidado, poderia ser ofuscado pelo clima “retrô” de várias faixas. O resultado, porém, é uma coleção de músicas que figuram bem em em playlists ao lado de nomes como Lianne La Havas, Anderson .Paak e até Amy Winehouse. Entre a atitude divertida de “Lackluster Love” e o discurso feminista de “Being a Woman”, Obviously oferece uma experiência envolvente e convidativa para o replay ao – na inevitabilidade do trocadilho – fugir do óbvio.

(Obviously em uma faixa: “Hypotheticals”)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.